26 de dezembro de 2010

E acabou!!!

Parque Trianon
Fim de ano são sempre as mesmas coisas. Feliz natal, muita paz, saúde e que Deus ilumine a sua vida e de sua família.
Quantas vezes você ouviu isso hoje, dia de natal?
Um dia desses resolvi andar na paulista de cabo a rabo e ver as luzes da natal. Realmente está tudo muito lindo, sincronizado e harmonizado. Não tem como não se emocionar, pelo menos pra mim, que sou uma eterna emotiva e chorona.
O que me fez pensar foi “legal, o final do ano já chegou e quais foram as metas que eu estipulei no final de 2009 e o que realmente cumpri?”. Bom, a resposta disso foi decepcionante, ainda mais para mim vendo que a grande maioria das coisas das quais eu havia colocado como meta, não atingi. Ok, muitas coisas não dependiam só de mim e de minha vontade e esforço, dependiam de outros. Mas mesmo o que dependia apenas de mim eu não fiz. Me trai mais uma vez.

Depois de andar sozinha na Paulista,
resolvi levar meus irmão. Guilherme, eu e
Nathália. (faltou o Ronaldo).

Quantas pessoas no final do ano colocam metas e objetivos para o próximo ano e não cumprem? Espero não ser a única. Por tanto, para o próximo ano fiz promessas, pq promessas temos que cumprir (apesar de eu não ser uma pessoa assim tão religiosa).
Vamos lá, a primeira delas será seis meses sem refrigerante, depois três meses sem carne vermelha (oooooooh God).
Um amigo meu disse que tenho que estabelecer objetivos e escrevê-los para que se tornem mais reais. Tenho apenas dois que estou totalmente disposta a cumpri-los. O primeiro será cuidar de mim, tanto em corpo quanto alma. Eu sempre fui ativa, fazia atividades físicas, aulas de danças, sempre fiz trabalhos voluntários, frequentava palestras e enfim... lugares que me faziam sorrir sozinha só de imaginar que existia uma alma maior que cuidava de todos nós, muitos chamam essa alma de Deus. E de repente, de três anos pra cá eu parei tudo, simplesmente parei de ir nos asilos de finais de semana, parei de ir nas palestras, parei de passar os domingos com as crianças deficientes das Casas André Luiz, parei de me controlar em diversas coisas que não vem ao caso. Isso tudo são coisas que sinto falta, pq faz eu me sentir uma pessoa menor e se não posso ajudar ninguém, nem a mim mesma, não tem sentido algum.
O segundo será deletar de UMA VEZ POR TODAS pessoas que não nos dão o mesmo valor como damos a elas. Apesar de promessas, de vontades, de crenças, de esperanças isso não me faz bem. É o seguinte, quem quer estar comigo já esta comigo, quem diz que quer estar e não está, é pq simplesmente não quer. Nada nos impede. Se hoje me sinto decepcionada com pessoas assim, com promessas que sei que nunca vão são cumpridas é pq eu me permiti estar assim, é pq eu prorroguei diversos sentimentos que há muito tempo deveria ter enterrado. Trocando em miúdos, vou me amar. Simples ... talvez não tão simples, isso requer esforço, mas quem realmente quer, consegue (já diria minha avó).
Todas essas decisões e sentimentos são culpas do Natal. Ta legal, o natal não tem tanta culpa assim, mas para muitos, é nesta época do ano que vemos o que realmente alcançamos e fizemos de diferente, fazemos a retrospectiva de nossas próprias vidas. Neste momento estou fazendo a minhas, espero do fundo do meu coração daqui um ano estar escrevendo novamente e dizendo que sim, eu consegui!
Provável que eu não consiga atualizar o blog novamente antes do ano novo, por tanto, desejo a todos um feliz 2011, um ano cheio de realizações pessoais e profissionais, saúde, paz, amizades, relações renovadas, promessas refeitas, e todo o blá blá blá de sempre.
Agradeço a todos que passaram mais um ano comigo, que dividiram, choraram e riram momentos que são únicos, que fizeram parte das minhas alegrias e tristezas e que me permitiram fazer parte do de vocês. Por cada sorriso, cada conquista, cada brinde, cada alegria, cada momento que só de estar junto nos faz se sentir especial.
Obrigado por fazerem parte de minha vida e compartilharem cada momento que seja.
FELIZ 2011.

7 de dezembro de 2010

Encontro Marcado

Ela sempre se encontrava com a amiga naquele mesmo bar, na mesma hora e no mesmo dia da semana.
O que tanto conversavam? Novidades da semana, trabalho, a vida dos amigos em comum, enfim,  o que não faltava era assunto e a vontade de tomar aquela cerveja gelada, mesmo com o frio de 15°C que fazia na Av. Paulista.
Na mesa à frente, três amigos conversavam entusiasmados e observavam as duas garotas da outra mesa que bebiam e fumavam seus cigarros sem perceberem os admiradores.
O primeiro vem à mesa delas e simplesmente se senta na cadeira vaga.
Mas que atrevimento. A morena continuou conversando com a amiga como se nada tivesse acontecido, como se não houvesse nenhum intruso na mesa.
Ela acaba a história. Termina a cerveja num só gole. Dá uma longa tragada em seu Malboro Light. E diz:
- Pronto. Agora você pode se apresentar!
Uau, que garota intimidadora.
- Ah, oi... eu só... só... queria conhecê-las.
A loira fica olhado para a amiga e para o intruso sem saber o que responder e o que fazer, por via das duvidas resolveu que não tomaria a decisão. Começa então o ritual de apresentações entre eles.
- Hum... Gustavo? Bonito nome.
Então era isso. A loira, a morena e o Gustavo sentados num bar pé sujo da Av. Paulista, às 21hrs de uma segunda-feira, pedindo que o garçom trouxesse a oitava garrafa de Brahma.
Que perfume, que clima, que boca, que pele. Meu Deus o que digo agora? O que digo?
- Café?
- Não obrigada, vou ficar na cerveja mesmo.
- Ahh, não. Café é a cor do seu esmalte?! – Meu Deus me abduz daqui, por favor. Não acredito que disse isso.
Não acredito que ele fez esse comentário.
- Não sei. Você é manicure?
¬¬ (cri cri cri)
- Desculpa. Só foi uma piada, não precisa ficar sem graça. Na verdade eu não sei que cor é o meu esmalte. Não ligo muito nessas coisas, apenas digo “ei, qual é o esmalte mais chamativo que você tem?!” então, vai ser aquele diferente e mais chamativo que eu vou passar.
A loira então se faz presente.
- Pois é, ela não é dessas que liga pra essas coisas de “mulherzinha” como ela mesmo diz, não é muito chegada a compras, salões de beleza e odeia shoppings em finais de semana e qualquer outro dia da semana.
Ele olha pra morena e diz:
- Do que você gosta então?
- Hum... cerveja, futebol e mulher.
- Ah, gostamos das mesmas coisas então – lésbica? Será?
- Tá legal, eu estava brincando... quer dizer, a parte da “mulher”. Eu gosto de futebol e cerveja... ah,  um whisky também é sempre bem-vindo.
Décima terceira cerveja, segundo maço de Malboro Light e um pouco mais das dez da noite. Ela é estudante de administração, trabalha numa empresa ali perto, mora numa cidade distante e depende do horário do fretado e não perde um jogo do seu querido Timão. Ele, formado em economia, professor universitário as terças e quintas, gerente de um banco de investimento e dali há duas semanas seria transferido para o número 700 da 5ª avenida, Nova York, EUA.
- Que triste, mal te conheci e você já vai se mudar pra outro país.
- Destino. Acredita nisso?
Se beijaram como se fosse o ultimo beijo. Mas era o primeiro. Mão na nuca, mão na perna, mão no rosto. Cuidado com o copo de cerveja. A loira foi embora. Beijo, beijo e mais beijos. Beijos incansáveis, beijos com gosto de paixão, beijos com gosto de descoberta, beijos com gosto de curiosidade, beijos com gosto de tesão e desejo.
- Eu preciso ir embora, se não perco o ultimo fretado.
Eles andam de mãos dadas, no mesmo passe, com o mesmo olhar. Andam como se fossem íntimos. Ele lhe entrega seu cartão de visitas e pede para que ela entre em contato.
O ônibus se aproxima e eles ainda não chegaram perto do ponto. Quero dormir com ele. Quero passar essa noite com ele. Pelo menos uma vez na vida. Eu quero, o que faço? Eu quero, o que faço? O ônibus se aproxima em alta velocidade. Meu Deus, o que faço? É perigoso.  E se ele for um maníaco? E se ele for um psicopata? O que faço? O que faço? Foda-se.
- Droga!!! Meu ônibus acabou de passar. – Sínica.
- E agora?
- Bom, eu tenho um amigo que mora aqui perto, posso pedir abrigo a ele. Sem problemas. – tomara que ele me convide.
Ele pensa. Segura sua mão. Aperta. Olha com desejo. Olha com ternura.
- Eu sei que pode parecer estranho, mas eu moro há umas seis quadras daqui. Posso te dar abrigo também... se você quiser.
Yesss, deu certo. Ela faz charme, diz que não o conhece direito, que não sabe, esta em duvida. Ela quer, e ambos sabem disso. Eles vão.
Elevador. 11º andar. Quanto andar. Se ele me jogar de lá de cima eu me esborracho no chão feio. Não pensa nisso.
Eles entram. O apartamento é pequeno mas bem aconchegante. Uma mesa de jantar com quatro lugares. Sofá pequeno, televisão, mesa de centro, parede azul, uma mini adega, mesa de aparato, espelho, suportes de velas, e da onde estava ainda conseguiu ver uma planta samambaia na varanda.
- Quer beber algo? Eu tenho whisky 12 anos, você disse que é apaixonada por whisky.
-Claro, quero sim. Obrigada. Posso usar o banheiro?
- No corredor a primeira porta à direita.
Tensão.
Apreensão.
Tesão.
A morena sai do banheiro. No CD Player toca Creep do Radiohead. As velas antes apagadas, agora mostram vida e iluminam mais ainda a parede azul.
Um copo de whisky e um homem engravatado arranhando alguma coisa no violão. Que sorte a minha.
Uma morena na minha casa, vou tentar arranhar algo no violão para impressionar, mulher adora isso, e uma noite inteira ainda. Que sorte a minha.
Ela bebe três doses de whisky, somado as cervejas que já haviam bebido, eles se embriagam. Vão para o quarto.
Ela veste uma camiseta branca e uma calça de moletom preta do anfitrião. Se deita do lado direito da cama. Ele volta à sala, apaga as velas, tira a roupa e deita do lado da morena. Se aconchegam e transam loucamente durante um tempo.
Ela repetia inúmeras vezes que é a primeira vez que ela dorme na casa de um “estranho”, que não faz essas coisas, mas que com ele a vontade era muito maior do que a razão. Ele dá risada, lógico que não acredita.
Impossível de acreditar, e pensava se aquilo realmente era verdade. Sim, era verdade.
Eles dormem cada um para um lado da cama. Sono profundo.
O despertador toca as sete da manhã. Ele levanta, vai até o banheiro e fecha a porta.
Ela acorda, fica apreensiva. E agora, o que fazer? Escuta o barulho do chuveiro.
Ele volta enrolado numa toalha. Olha pro quarto e não vê ninguém. Vai até a cozinha. Vazia. Na sala também não havia ninguém. Ele volta para o quarto, vê a cama ainda desarrumada e o cartão de visitas que havia dado à ela na noite anterior. Coça a cabeça. Olha para o espelho e vê um bilhete.
“Gustavo, adorei a noite. Você é uma pessoa maravilhosa. Boa sorte nesta nova etapa da sua vida”.
------
Mas ela nem levou o cartão? Nem deixou um e-mail, telefone, algum contato? Fugiu, e o único rastro que deixou foram alguns fios de cabelo no travesseiro.
Foi melhor assim, porque do contrário ela teria ligado e/ou mandado e-mails querendo vê-lo novamente. Querendo um romance a curto prazo, já que ele estava se mudando para o hemisfério norte do planeta. E ele a teria despistado e ficaria de saco cheio. Afinal, as mulheres não entendem o que é uma relação de uma noite só.
O filme de amor teria virado filme de terror.

30 de novembro de 2010

Tradeoff

Segundo a enciclopédia online Wikipédia: Trade-off ou tradeoff é uma expressão que define uma situação em que há conflito de escolha (...) Ocorre quando se abre mão de algum bem ou serviço distinto para se obter outro bem ou serviço distinto.

Tem dias que depois de um dia estressante e corrido (mesmo com o pé engessado), vc só quer chegar em casa e descansar;

Tem dias que depois de um dia estressante e corrido (mesmo com o pé engessado), vc só quer comer uma pizza;

Tem dias que depois de um dia estressante e corrido (mesmo com o pé engessado), vc só quer uma companhia pra ver um filme;

Tem dias que vc não tem escolha e o jeito é ir dormir, comer o que tem na geladeira mesmo e assistir apenas a novela das oito.
Tem dias que vc se esforça ao máximo pra acreditar em algo, mesmo que lá no fundo saiba que não é verdade, e vc consegue!
Tem dias que vc se esforça ao máximo pra acreditar em algo, mesmo que lá no fundo saiba que não é verdade, e... vc não consegue! Aí que o bicho pega.

Não consegue acreditar em promessas, por mais que queira acreditar;
Não consegue pensar positivo, por mais que queira pensar;
Não consegue sentir segurança, por mais que queira sentir;
Não consegue se decidir, por mais que já saiba o que é certo e o que é errado;
Não consegue sonhar, por mais que queira dormir.

O saco está cheio de sempre me pegar com as mesmas dúvidas, incertezas e seguranças. Eu, ariana, corinthiana, maloqueira e sofredora, que sempre soube o que quis e sempre corri atrás para ter as coisas, agora simplesmente não sei o que fazer... me vejo de mãos atadas diante de situações na qual não tenho o poder de decisão. E Deus sabe o quanto é difícil, pra uma ariana, não poder fazer o que simplesmente deseja.

A solução? Encontrar alguém pra comer a pizza ou assistir o filme.
O Problema? Até onde quero encontrar alguém?

Então continuaremos assim: vc quer mas não pode. Vc não pode mas quer.
Quem disse mesmo aquela frase “Querer é poder e blá blá blá”????

Enquanto tudo isso continuar, a pizza vai esfriar, o filme vai acabar e vc vai continuar aí, se lamentando por não ter o poder de decisão. Então pq não mudar a situação onde vc pode decidir? É tudo uma questão de escolhas... tradeoff.

Think about that.

21 de novembro de 2010

Se não sou frigideira sou uma chaleira

Um dia desses estava passeando num sebo da avenida paulista, eis que vejo um livro de capa dura bem antigão, com 769 páginas. O título? “Tudo Sobre o Amor”. Juro, este era o título.
Saí de lá pensando “cacete, quanta coisa o amor tem hein!”. É, realmente tem mta coisa mesmo... mas será que dá pra ser explicado em 769 páginas? Será um dicionário amoroso? Será uma bíblia? Será um mantra? Não sei, não folheie nenhuma página... apesar de amar o tema e dissertar sobre, não acho que será num livro que teremos todas essas respostas nem por onde devemos nos nortear. Basta seguir o que sentimos, não vai ser teu pai, tua mãe ou melhor amigo que deve te passar as coordenadas.
Esses dias minha mãe me disse  “ah minha filha, se pudesse eu te passaria toda a experiência que tenho para que vc não sofra com relacionamentos”. Thank you mother, mas aí, que graça teria viver e não descobrir as coisas sozinha? Pode não ser determinada pessoa que vou passar o resto da vida (se é que alguma coisa nesse mundo é eterno), ou poderia ser... não sei. Não paguei pra ver... como mtus disseram: Fugi! Não por medo, mas por ter a certeza dentro de mim que não era pra ser... e se eu ouvia aquela voizinha que sempre me aconselhou e nunca me decepcionou pq não seguir?
E vamos pra frente que atrás vem gente.
Quando era pequena ouvia dizer que toda laranja tem a sua metade, que alma gêmea existe, e que se vc ainda esta sozinha, é pq não encontrou a tampa da sua panela... e por favor, sem aquela piadinha de que talvez eu seja uma frigideira (as tampas de panelas daqui de casa são universais, cabem até em frigideiras, por tanto, não sou exceção). Hoje concluo que o mundo é par. Porque se pra cada pessoa existe alguém já pré-destinado, é pq o mundo é par. Não posso encontrar dois amores nessa vida, e pior ainda se eu não encontrar ninguém é sinal de que alguém terá encontrado mais de um? Será um triangulo amoroso?
Foda acreditar nessas coisas...
Moral da história: Vc que achou mais de um amor na vida, faz o favor de passar um pra cá!

21 de outubro de 2010

Mistura Homogênea

Parece que ultimamente a criatividade fugiu da minha cabeça e não encontra o caminho de volta nem com GPS. O texto que segue abaixo foi escrito por Bruno Chazan, jornalista esportivo, corinthiano mais que roxo (sim, mais corinthiano que eu), que quando se pede com carinho escreve ótimos contos. Espero que este seja só o primeiro de muitos dele que publico aqui. Enjoy ;)



"De uma gelada madrugada de outubro para uma senegalesca tarde de janeiro. Céu aberto, nuvens hibernando e sol de mangas arregaçadas. Assim como a água é o condutor universal de eletricidade, o sonho é o meio de passagem para os desejos mais escondidos do inconsciente. Continuo deitado, mas não mais com o edredom enrolado como um cachecol. Corpo exposto aos raios ultra-violetas e à sensação de férias que impregnam o ambiente. Onde estou? Não reconheço, e nem tento. Só a visão dessa água tão azul como safira já desestimula qualquer tentativa de raciocínio. Que meus neurônios descansem, sou apenas impulsos. 
 
Percebo que não estou sozinho. A alguns metros, uma escultura deitada à beira da piscina se oferece ao calor como Monalisa aos turistas do Louvre. Sua posição não me permite reparar em seu rosto, mas o que me está à vista já vale um Picasso: um corpo esbelto e moreno, protegido em suas formas mais delicadas por um minúsculo biquini branco. Ela não se move, o que me faz quase acreditar que estou assistindo ao comercial de alguma marca de chinelos. Ops, ajeitou o cabelo, preto, levemente ondulado. A água escoa de suas mãos e percorre a cabeça de cima a baixo, molhando também os seios fartos. Olho para os lados e compreendo que sou a única testemunha daquele ensaio surreal. As outras pessoas simplesmente ignoram a cena.

Meu desejo é de me aproximar, mas a hesitação trava o meu corpo. Quem é ela? Me conhece? O que faz aqui? Pois é, os neurônios são mesmo hard-workers. Ainda bem que uma voz sopra aos meus ouvidos para fugir das perguntas e me atentar aos sinais. Levanto-me e chego devagar ao seu lado. Ela acompanha meu movimento com a cabeça e não mostra o mínimo incômodo. Pelo contrário, seu sorriso branco e encantador é um cartão de boas vindas e um prêmio à minha ousadia. Antes que minha boca formule alguma frase sem sentido, sou surpreendido pelo vaivém daquelas mãos molhadas e delicadas no meu peito. A água fria traz à pele quente um choque insignificante diante do arrepio que exalta meus pêlos. Sempre me perguntei o porquê das coisas, mas ali não cabia. Um ruído e o momento mais mágico da minha vida acabaria num retorno ao edredom. 
 
Sigo em frente. Retribuo as boas vindas com leves carícias em seu rosto. Seus olhos estão pequenos, acho que é a luminosidade. A pele é macia como algodão, acho que é a natureza. Ela me encara com meiguice e fome ao mesmo tempo. Num gesto brusco, domina minha boca e me tira a respiração. Um encontro perfeito, simétrico. Encaixe irreal, nada fora de lugar. Se lábios competissem, os nossos seriam favoritos ao ouro na ginástica rítmica. Mas como estamos sob 40 graus e à beira da piscina, mudamos para o nado sincronizado. Caímos juntos n'água, sem levantar uma gota - seria agora saltos ornamentais?
 
Água + hormônios = mistura homogênea. Por um segundo me desconcentro, afligido pelo receio de sermos atração de banhistas excitados. Não, somos como espíritos, invisíveis e inaudíveis. Volto ao transe com a vontade de nele perpetuar. Beijos e abraços formam uma onda de amor, contínua e eletrizante. Entrego-me ao instinto humano. Dali nasci, dali viverei. Passam-se minutos, passam-se horas. Nosso amor é como a inércia, não há atrito que nos interrompa. Mas, de repente, minha perna se mexe com mais facilidade do que aconteceria sob a água. Um som de cortador de grama contradiz tudo o que desfrutei. Um olho se abre, e minha morena se despede de longe, com um tchau sorridente combinado com os mesmos olhos pequenos. Frustrado, repito a mim mesmo que não preciso mais do edredom."

Bruno Chazan, vulgo Nê.

6 de outubro de 2010

Que "vibe" louca

- Eu não estou mais na mesma vibe.

- Vibe? – será que eu estava entendendo o que estava entendendo?

- Nosso namoro não esta legal, e eu não estou mais na mesma vibe. – é, eu realmente estava entendendo o que estava entendendo, mas não queria entender.

- Você esta terminando comigo? É isso?

- É, é isso... não quero mais, não te amo mais, e se continuarmos só vou te machucar.
Silencio.

- Bia, não chora. Não Bia, por favor não chora. Não quero te fazer sofrer.

O painel avisa a próxima senha: G3981. Que numero mais ridículo de atendimento pra tirar a segunda via do RG. Levantei e fui até a atendente.

Sim, foi assim que meu primeiro namorado terminou comigo, na fila do Poupatempo enquanto eu tirava a segunda via do RG (na verdade, se existe quinta via de documento, era este que eu estava tiranndo, porque já tinha perdido o RG umas quatro vezes).

Voltei. Me sentei ao seu lado.

- Transa comigo? – meu Deus, eu disse isso? É, eu disse isso, e nem sei o pq me surpreendi.

- Oi?!

- É.

-É o que?

- Vamos fazer o que fizemos de melhor nesse um ano.

- Mas eu estou terminando com você.

- Mas eu quero transar com você uma ultima vez. Não sei quando vou fazer isso de novo.

Ai meu Deus, se ele se negar foder comigo uma ultima vez eu juro que me mato, que dizer, ele já tinha fodido tudo mesmo. O desgraçado termina comigo na fila do Poupatempo porque não esta mais na mesma “vibe” e ainda se nega a transar comigo.

- Eu não tenho dinheiro pro motel. Ahhh, alias... também não tenho o dinheiro pro estacionamento. Você tem uns 10,00 pra me emprestar? – ele sabia que eu tinha e ainda faz cara de coitado... Hellooooo, a coitada ali era eu (ou não).

- Eu tenho, e você sabe que eu tenho. Eu pago, e você sabe que eu pago.

Claro, primeiro ele queimou um baseadinho básico. Ultimamente era assim, parecia que pra estar comigo precisava estar maconhado. Caralho, será que eu era tão ruim assim?

O motel de sempre, o quarto de sempre, as cores de sempre.

Que horror.

- Amor, que dia é hoje?

- Não sou mais seu amor. Acho que hoje é dia 25 de agosto, pq?

- Hoje faríamos um ano de namoro. Mas estamos há algumas horas terminados.

- Caralho mano, um ano??? Tudo isso??? A gente namorou um ano? Achei que fosse menos tempo.
Quer saber? Vai pra puta que te pariu. Filho de uma meretriz.

Me deixa em casa. Por favor, me deixa em casa. Eu não quero mais te ver. Eu não quero nunca mais te ver. Eu quero que você se foda nessa sua republica de merda, com aquelas bixetes drogadinnhas de merda, e naquela cidade de merda. E quando você voltar, você vai ver. Eu vou estar linda e mais magra que nunca. Você vai me querer de volta e eu nunca mais vou olhar na sua cara. Vou te tratar com tanto desprezo que você vai se arrepender tanto... Ah meu amor, como você vai se arrepender disso.

Passam-se trinta segundos.

Não, não, não, por favor não. Não me deixa, não me esquece, não deixe de me amar, nunca mais vou conseguir ficar com ninguém, nunca mais vou amar ninguém, nunca mais vou fazer sexo, por que eu só faço essas coisas quando amo, quando estou envolvida, quando estou apaixonada e eu nunca mais vou gostar de ninguém a não ser você. Mesmo com seus defeitos.

Claro que tudo isso foram pensamentos enquanto ele dirigia até a minha casa.

O carro para na porta da minha casa.

- Aí cabeção, você foi muito importante na minha vida. Você é fera. Quando eu voltar pra essa cidade eu colo aqui na sua goma pra gente trocar uma idéia. Beleza?

- Beleza?- Oi??? Ele estava zoando com a minha face linda e inchada de tanto chorar né?

- Beleza! Agora desce do carro porque eu preciso ir embora, já esta tarde. – Não, ele não estava zoando nem com a minha face nem com a face do bozó e nem com a face de ninguém.

Ahhhh meu Deus, minha vida já era.

Para perna. Para de tremer. Para mão, para de suar frio. Para coração, para de fingir que vai sair pelo peito. Para peito, para de doer. Para olho, para de chorar. Para cabeça, para de pensar.
Chora. Dorme. Acorda. Chora. Vai trabalhar. Fui trabalhar? To anestesiada. Fome? Não, não quero comer.

E foi assim durante duas semanas. Duas longas semanas. Até eu conhecer alguém que já conhecia, até me envolver novamente. Até pensar rindo “Ihhhh, aquele cara terminou comigo pq não estava na mesma vibe. Pode uma coisa dessa? Ele é engraçado. Acho que vou marcar uma cerveja qualquer dia desses!”

Ué, mas eu não ia sofrer o resto da minha vida porque ele não estava na mesma vibe?

É, nem doeu tanto assim. O famoso “depois que passa a gente ri!”

Que vibe louca.

27 de setembro de 2010

Um dia, quem sabe?

"Bye Baby, se der eu volto. Se der."
Qual o sentido de amar uma pessoa e ouvir “Vc é a pessoa certa, mas no tempo errado!” ou então “Ahhh, vc ainda tem tantas coisas pra viver!”, ou, como já ouvi uma vez “Vc é maravilhosa, mas preciso curtir a vibe. É uma vibração muito louca!” (sim, ouvi isso do meu primeiro namorado enquanto estava na fila do poupatempo pra tirar a segunda via do RG... Claro que sai da fila pra ter um DR – que não adiantou muita coisa-).

Sempre fui da seguinte opinião: Nada é eterno. Tudo o que começa, termina. Se casou, pode se divorciar. Se engravidou, ainda são 9 logos meses. Se mora perto, pode se mudar pra outro hemisfério. Se nasceu sem imperfeições, um dia pode se envolver em algum acidente e ter algum tipo de seqüela. Se, e se, e se... Se eu te amo hoje, um dia posso deixar de te amar.

Nada é eterno, a não ser amor de pai e filho. Não existe a possibilidade de amar alguém e não estar com esta pessoa quando se é recíproco. Existe a possibilidade de amar sozinho. Mas se a recíproca é verdadeira...

Hoje ouvi essa frase no final de um filme na qual o casal não ficam juntos sempre te amei...e sempre irei te amar...por tudo o que vivemos e por tudo o que poderemos viver...isso não irá mudar... vc pode achar outra pessoa, começar a namorar, casar e ter filhos...mas vc será sempre minha...e eu serei sempre seu... uauuuu, sim me debuli em lágrimas, porque eu choro até com o comercial da Doriana. Parênteses: conheci uma pessoa que esta disposto a processar a margarina Doriana por causa de seus comerciais de café da manhã idealizados. Fecha parênteses. Como já disse, no final eles não ficam juntos e também não sei como ficam. Imaginação fértil: O cara acaba casando e tendo uma penca de filhos, passado alguns anos fica barrigudo, careca, orelhas grandes e colesterol alto, ah claro, sem esquecer da pressão alta. Ela viajou para vários lugares, conheceu várias pessoas, mas nunca se aquietou em nenhum lugar nem com ninguém, ela queria a imagem semelhança da perfeição, e demoraria mais alguns anos pra perceber que isso não existe. O ideal é apenas uma coisa que os jovens tem em mente e insistem e matutam em ir em busca (segundo opinião do leitor Claudio, que concordo plenamente).

Será que algum dia, dessa vida perfeita na qual ele levava ele lembrou da promessa? Ele rezou por ela, mesmo não sabendo como ela estava, mas rezou e desejou o bem só pelo simples fato de amar? Será que algum dia, numa dessas bebedeiras louca da vida, dessas saídas inesperadas ela pensou nele? Ela fechou os olhos e imaginou ele e rezou pelo seu bem, mesmo não sabendo seu paradeiro?

Como dirima os religiosos, o futuro só a Deus pertence. Assistindo esse filme, eu digo, o futuro só a mim pertence. Não posso fazer promessas e juras de amor de coisas que não dependem apenas de mim.

Se vc encontrou a pessoa certa, se é que existe só uma pessoa certa para cada pessoa (que complexo), é o tempo certo. Não dá para simplesmente voltar e dizer “então queridão, já vivi tudo o que tinha pra viver... e agora?!” ou então “Ahh, a vibe acabou e a rave foi louca... e vc é a mulher da minha vida!”

17 de setembro de 2010

Bola de Neve

Quarta-feira, 28 de Julho. Estação Vila Olímpia, O trem não estava cheio, mas também não havia acentos vagos. Novidade? Não, lógico que não. Ainda mais para um fim de tarde friorento e cansativo.
É engraçado observar as expressões das pessoas. Alguns lêem, outros sorriem sozinhos, dormem de boca aberta, conversam alto, insistem em ouvir pancadão sem fone de ouvido, e outros insistem em encoxar as mocinhas bonitinhas e dar desculpa que foi o tranco do trem.
Um garoto muito bem arrumado, uns vinte e tantos anos de terno e gravata, mochila nas costas e um livro com capa e tamanho semelhante ao Grande Dicionário Aurélio da década de 80, que levava o título de “Bola de Neve”. Com a mão direita segurava a barra do trem e na outra o grande livro. Seu celular toca. E agora o que fazer? Largar o livro ou a mão na qual se segurava para pegar o celular que berrava dentro da sua mochila?
Eis que vê sua salvação momentânea, uma garota de cabelos longos preto, maquiagem forte, unhas roídas pintadas de vermelho sangue, blusa azul com uma grande estampa “TIM. Viver Sem Fronteiras” e uma calça jeans surrada.
- Oi, você pode segurar pra mim, por favor?!
- Claro! – responde a garota soltando uma das mãos da barra, ajeitando a bolsa no ombro e pegando o livro das mãos do rapaz.  Ele se alonga na conversa no celular e ela dá uma olhada na orelha do livro. Do alto falante do trem uma voz feminina indica a estação. Cidade Jardim.
- Muito obrigado – diz o rapaz desligando o celular, enfiando-o no bolso e resgatando seu livro.
- Você vai ler isso tudo? – pergunta a moça espantada.
Com um sorriso e meio sem graça ele responde:
- Vou sim. Os homens mais ricos do mundo leram este livro.
- E sobre o que o livro fala? – ainda curiosa, ela o questiona.
- Sobre um dos homens mais ricos e influentes do mundo, do nada ele conseguiu fazer uma fortuna. – Foi a melhor explicação que ele conseguiu dar, até porque, se ele dissesse que o livro é sobre um cara chamado Warren Buffet, ela não saberia quem é esse tal cara.
- Hum… que legal, parece ser interessante. – Ela diz sem muita convicção.
- É, é sim.
“Os acentos de cor cinza são de uso preferencial. Por favor, respeite este direito. Próxima estação: Hebraica-Rebouças”. A voz robótica informa novamente.
- É engraçado como não respeitam as pessoas com preferências né?
- Oi?! – Pergunta a menina meio desligada.
- Hum… nada não. – e ele fica pensando se ela realmente não havia escutado a pergunta ou tinha achado patético o suficiente para ignorar.
- Você pega este trem todos os dias? – ela pergunta no impulso.
- Pego sim. Trabalho num banco de investimentos na Berrini e estudo Engenharia na UniABC, em Santo André. Este é o meio mais rápido. Engenharia… ham.. coisa de louco e tarado por números e contas mirabolantes. E você? – Ele faz cara de quem se arrependeu do tamanho da resposta que deu, e acha melhor ter respondido só “sim” ou “não”.
-Ah não, não faço engenharia não.
Ele ri alto e retruca
- Não! é… não me expressei direito. Eu quis perguntar se você pega sempre o trem.
Ela sorri sem jeito.
- Não, eu estava na Berrini por causa de uma confraternização da empresa. Trabalho na TIM.
- É, eu percebi.
- Pois é, com essa blusa berrante é difícil não perceber mesmo. Mas é porque estava tendo um evento, com comes e bebes. Infelizmente não pude ficar até o final, tenho prova do colégio, e nem estudei.
- Prova da onde? – ele pergunta como se não tivesse ouvido direito.
- DO COLÉGIO – ela responde mais alto e com timidez. Não por ter respondido mais alto, mas do que havia respondido.
- Colégio? Legal… – lógico que não era legal – é, desculpa a pergunta, mas quantos anos você tem?
- 16.
Próxima estação: Pinheiros. A pratica de venda dentro das estações de trem é crime. Não compre! Não dê esmolas! Ajude uma entidade de sua confiança.
“Puta merda!!! Pedofília!” Era isso que o garoto engravatado pensava. De repente o livro começou a pesar mais que dez enciclopédias, sua mochila parecia conter tijolos de construção, e o trem parecia voar pelos trilhos. “Espera! Isso não quer dizer nada”.
- Nossa, você parece ser mais velha. Te dava uns 19 anos. – Ele diz meio sem graça
- É, normalmente as pessoas acham que tenho mais idade. – ela responde com a maior naturalidade, como se já estivesse acostumada com este fato. – Então, como estava dizendo, moro e trabalho em Carapicuíba, só estava nesta região por causa do evento. – Ela retoma o assunto com a maior naturalidade.
- Que bom que você pegou o trem. É a forma mais rápida realmente de chegar. E pudemos nos conhecer, olha que legal. Qual seu nome?
Momento xaveco iniciando, depois de três estações e 10 minutos.
- Thaísa. – Ela responde rápido e não devolve a pergunta.
- Bonito nome.
O trem começa a andar em velocidade menor. Os carros passam lentamente pela marginal pinheiros, e o som da buzina é incessante.
O rapaz sem se identificar continua a conversa ignorando o barulho da via.
- Eu bem que queria comprar um carro, mas as vezes acho que não vale a pena. Sem contar esse transito louco de São Paulo.
- É verdade, mais os gastos para manter né? É seguro, gasolina, estacionamento, licenciamento, IPVA e o que mais imaginar. – Ela completa o pensamento dele, se achando muito inteligente pela observação feita.
- Com certeza.
- Mas você vai ler este livro e vai ser milionário, esqueceu? E influente também. Vai conseguir comprar o seu carro antes do que imagina. – ela diz com desdém.
Ele da uma risada discreta.
Próxima estação: Cidade universitária. Acesso para à linha verde pela Ponte Orca. Ao desembarcar, cuidado com o vão entre o trem e plataforma.
Após o anuncio da localização, ele olha pra ela e diz.
- Eu desço na próxima.
-Ah, tudo bem. Foi um prazer te conhecer. – ela diz dando espaço para que ele passe.
- Olha só, quando eu tiver meu carro posso te dar uma carona. O que acha?
- Eu aceito – ela diz rindo e esperançosa.
O trem para na plataforma.
- Ou melhor, como vou ser milionário, posso te dar um carro também.
A porta se abre.
- E você daria um carro para alguém que você mal conhece? – ela questiona querendo que ele responda o mais rápido possível antes que o empurrem dali.
Começa a confusão. As pessoas começam a desembarcar e embarcar do trem ao mesmo tempo.
- Pra você? Claro. – Ele responde já saindo.
- Por que??? – ela retruca afoita.
Já fora do trem, de pé na plataforma ele responde sério.
- Porque eu vou casar com você.
A porta do trem se fecha, e ela, ainda segurando na barra de segurança, da um sorriso que lhe cobre o rosto.
Próxima estação: Jaguaré. Não segure as portas após o sinal. Evite atrasos e acidentes.
E ele sobe as escadas no sentido oposto.