26 de dezembro de 2010

E acabou!!!

Parque Trianon
Fim de ano são sempre as mesmas coisas. Feliz natal, muita paz, saúde e que Deus ilumine a sua vida e de sua família.
Quantas vezes você ouviu isso hoje, dia de natal?
Um dia desses resolvi andar na paulista de cabo a rabo e ver as luzes da natal. Realmente está tudo muito lindo, sincronizado e harmonizado. Não tem como não se emocionar, pelo menos pra mim, que sou uma eterna emotiva e chorona.
O que me fez pensar foi “legal, o final do ano já chegou e quais foram as metas que eu estipulei no final de 2009 e o que realmente cumpri?”. Bom, a resposta disso foi decepcionante, ainda mais para mim vendo que a grande maioria das coisas das quais eu havia colocado como meta, não atingi. Ok, muitas coisas não dependiam só de mim e de minha vontade e esforço, dependiam de outros. Mas mesmo o que dependia apenas de mim eu não fiz. Me trai mais uma vez.

Depois de andar sozinha na Paulista,
resolvi levar meus irmão. Guilherme, eu e
Nathália. (faltou o Ronaldo).

Quantas pessoas no final do ano colocam metas e objetivos para o próximo ano e não cumprem? Espero não ser a única. Por tanto, para o próximo ano fiz promessas, pq promessas temos que cumprir (apesar de eu não ser uma pessoa assim tão religiosa).
Vamos lá, a primeira delas será seis meses sem refrigerante, depois três meses sem carne vermelha (oooooooh God).
Um amigo meu disse que tenho que estabelecer objetivos e escrevê-los para que se tornem mais reais. Tenho apenas dois que estou totalmente disposta a cumpri-los. O primeiro será cuidar de mim, tanto em corpo quanto alma. Eu sempre fui ativa, fazia atividades físicas, aulas de danças, sempre fiz trabalhos voluntários, frequentava palestras e enfim... lugares que me faziam sorrir sozinha só de imaginar que existia uma alma maior que cuidava de todos nós, muitos chamam essa alma de Deus. E de repente, de três anos pra cá eu parei tudo, simplesmente parei de ir nos asilos de finais de semana, parei de ir nas palestras, parei de passar os domingos com as crianças deficientes das Casas André Luiz, parei de me controlar em diversas coisas que não vem ao caso. Isso tudo são coisas que sinto falta, pq faz eu me sentir uma pessoa menor e se não posso ajudar ninguém, nem a mim mesma, não tem sentido algum.
O segundo será deletar de UMA VEZ POR TODAS pessoas que não nos dão o mesmo valor como damos a elas. Apesar de promessas, de vontades, de crenças, de esperanças isso não me faz bem. É o seguinte, quem quer estar comigo já esta comigo, quem diz que quer estar e não está, é pq simplesmente não quer. Nada nos impede. Se hoje me sinto decepcionada com pessoas assim, com promessas que sei que nunca vão são cumpridas é pq eu me permiti estar assim, é pq eu prorroguei diversos sentimentos que há muito tempo deveria ter enterrado. Trocando em miúdos, vou me amar. Simples ... talvez não tão simples, isso requer esforço, mas quem realmente quer, consegue (já diria minha avó).
Todas essas decisões e sentimentos são culpas do Natal. Ta legal, o natal não tem tanta culpa assim, mas para muitos, é nesta época do ano que vemos o que realmente alcançamos e fizemos de diferente, fazemos a retrospectiva de nossas próprias vidas. Neste momento estou fazendo a minhas, espero do fundo do meu coração daqui um ano estar escrevendo novamente e dizendo que sim, eu consegui!
Provável que eu não consiga atualizar o blog novamente antes do ano novo, por tanto, desejo a todos um feliz 2011, um ano cheio de realizações pessoais e profissionais, saúde, paz, amizades, relações renovadas, promessas refeitas, e todo o blá blá blá de sempre.
Agradeço a todos que passaram mais um ano comigo, que dividiram, choraram e riram momentos que são únicos, que fizeram parte das minhas alegrias e tristezas e que me permitiram fazer parte do de vocês. Por cada sorriso, cada conquista, cada brinde, cada alegria, cada momento que só de estar junto nos faz se sentir especial.
Obrigado por fazerem parte de minha vida e compartilharem cada momento que seja.
FELIZ 2011.

7 de dezembro de 2010

Encontro Marcado

Ela sempre se encontrava com a amiga naquele mesmo bar, na mesma hora e no mesmo dia da semana.
O que tanto conversavam? Novidades da semana, trabalho, a vida dos amigos em comum, enfim,  o que não faltava era assunto e a vontade de tomar aquela cerveja gelada, mesmo com o frio de 15°C que fazia na Av. Paulista.
Na mesa à frente, três amigos conversavam entusiasmados e observavam as duas garotas da outra mesa que bebiam e fumavam seus cigarros sem perceberem os admiradores.
O primeiro vem à mesa delas e simplesmente se senta na cadeira vaga.
Mas que atrevimento. A morena continuou conversando com a amiga como se nada tivesse acontecido, como se não houvesse nenhum intruso na mesa.
Ela acaba a história. Termina a cerveja num só gole. Dá uma longa tragada em seu Malboro Light. E diz:
- Pronto. Agora você pode se apresentar!
Uau, que garota intimidadora.
- Ah, oi... eu só... só... queria conhecê-las.
A loira fica olhado para a amiga e para o intruso sem saber o que responder e o que fazer, por via das duvidas resolveu que não tomaria a decisão. Começa então o ritual de apresentações entre eles.
- Hum... Gustavo? Bonito nome.
Então era isso. A loira, a morena e o Gustavo sentados num bar pé sujo da Av. Paulista, às 21hrs de uma segunda-feira, pedindo que o garçom trouxesse a oitava garrafa de Brahma.
Que perfume, que clima, que boca, que pele. Meu Deus o que digo agora? O que digo?
- Café?
- Não obrigada, vou ficar na cerveja mesmo.
- Ahh, não. Café é a cor do seu esmalte?! – Meu Deus me abduz daqui, por favor. Não acredito que disse isso.
Não acredito que ele fez esse comentário.
- Não sei. Você é manicure?
¬¬ (cri cri cri)
- Desculpa. Só foi uma piada, não precisa ficar sem graça. Na verdade eu não sei que cor é o meu esmalte. Não ligo muito nessas coisas, apenas digo “ei, qual é o esmalte mais chamativo que você tem?!” então, vai ser aquele diferente e mais chamativo que eu vou passar.
A loira então se faz presente.
- Pois é, ela não é dessas que liga pra essas coisas de “mulherzinha” como ela mesmo diz, não é muito chegada a compras, salões de beleza e odeia shoppings em finais de semana e qualquer outro dia da semana.
Ele olha pra morena e diz:
- Do que você gosta então?
- Hum... cerveja, futebol e mulher.
- Ah, gostamos das mesmas coisas então – lésbica? Será?
- Tá legal, eu estava brincando... quer dizer, a parte da “mulher”. Eu gosto de futebol e cerveja... ah,  um whisky também é sempre bem-vindo.
Décima terceira cerveja, segundo maço de Malboro Light e um pouco mais das dez da noite. Ela é estudante de administração, trabalha numa empresa ali perto, mora numa cidade distante e depende do horário do fretado e não perde um jogo do seu querido Timão. Ele, formado em economia, professor universitário as terças e quintas, gerente de um banco de investimento e dali há duas semanas seria transferido para o número 700 da 5ª avenida, Nova York, EUA.
- Que triste, mal te conheci e você já vai se mudar pra outro país.
- Destino. Acredita nisso?
Se beijaram como se fosse o ultimo beijo. Mas era o primeiro. Mão na nuca, mão na perna, mão no rosto. Cuidado com o copo de cerveja. A loira foi embora. Beijo, beijo e mais beijos. Beijos incansáveis, beijos com gosto de paixão, beijos com gosto de descoberta, beijos com gosto de curiosidade, beijos com gosto de tesão e desejo.
- Eu preciso ir embora, se não perco o ultimo fretado.
Eles andam de mãos dadas, no mesmo passe, com o mesmo olhar. Andam como se fossem íntimos. Ele lhe entrega seu cartão de visitas e pede para que ela entre em contato.
O ônibus se aproxima e eles ainda não chegaram perto do ponto. Quero dormir com ele. Quero passar essa noite com ele. Pelo menos uma vez na vida. Eu quero, o que faço? Eu quero, o que faço? O ônibus se aproxima em alta velocidade. Meu Deus, o que faço? É perigoso.  E se ele for um maníaco? E se ele for um psicopata? O que faço? O que faço? Foda-se.
- Droga!!! Meu ônibus acabou de passar. – Sínica.
- E agora?
- Bom, eu tenho um amigo que mora aqui perto, posso pedir abrigo a ele. Sem problemas. – tomara que ele me convide.
Ele pensa. Segura sua mão. Aperta. Olha com desejo. Olha com ternura.
- Eu sei que pode parecer estranho, mas eu moro há umas seis quadras daqui. Posso te dar abrigo também... se você quiser.
Yesss, deu certo. Ela faz charme, diz que não o conhece direito, que não sabe, esta em duvida. Ela quer, e ambos sabem disso. Eles vão.
Elevador. 11º andar. Quanto andar. Se ele me jogar de lá de cima eu me esborracho no chão feio. Não pensa nisso.
Eles entram. O apartamento é pequeno mas bem aconchegante. Uma mesa de jantar com quatro lugares. Sofá pequeno, televisão, mesa de centro, parede azul, uma mini adega, mesa de aparato, espelho, suportes de velas, e da onde estava ainda conseguiu ver uma planta samambaia na varanda.
- Quer beber algo? Eu tenho whisky 12 anos, você disse que é apaixonada por whisky.
-Claro, quero sim. Obrigada. Posso usar o banheiro?
- No corredor a primeira porta à direita.
Tensão.
Apreensão.
Tesão.
A morena sai do banheiro. No CD Player toca Creep do Radiohead. As velas antes apagadas, agora mostram vida e iluminam mais ainda a parede azul.
Um copo de whisky e um homem engravatado arranhando alguma coisa no violão. Que sorte a minha.
Uma morena na minha casa, vou tentar arranhar algo no violão para impressionar, mulher adora isso, e uma noite inteira ainda. Que sorte a minha.
Ela bebe três doses de whisky, somado as cervejas que já haviam bebido, eles se embriagam. Vão para o quarto.
Ela veste uma camiseta branca e uma calça de moletom preta do anfitrião. Se deita do lado direito da cama. Ele volta à sala, apaga as velas, tira a roupa e deita do lado da morena. Se aconchegam e transam loucamente durante um tempo.
Ela repetia inúmeras vezes que é a primeira vez que ela dorme na casa de um “estranho”, que não faz essas coisas, mas que com ele a vontade era muito maior do que a razão. Ele dá risada, lógico que não acredita.
Impossível de acreditar, e pensava se aquilo realmente era verdade. Sim, era verdade.
Eles dormem cada um para um lado da cama. Sono profundo.
O despertador toca as sete da manhã. Ele levanta, vai até o banheiro e fecha a porta.
Ela acorda, fica apreensiva. E agora, o que fazer? Escuta o barulho do chuveiro.
Ele volta enrolado numa toalha. Olha pro quarto e não vê ninguém. Vai até a cozinha. Vazia. Na sala também não havia ninguém. Ele volta para o quarto, vê a cama ainda desarrumada e o cartão de visitas que havia dado à ela na noite anterior. Coça a cabeça. Olha para o espelho e vê um bilhete.
“Gustavo, adorei a noite. Você é uma pessoa maravilhosa. Boa sorte nesta nova etapa da sua vida”.
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Mas ela nem levou o cartão? Nem deixou um e-mail, telefone, algum contato? Fugiu, e o único rastro que deixou foram alguns fios de cabelo no travesseiro.
Foi melhor assim, porque do contrário ela teria ligado e/ou mandado e-mails querendo vê-lo novamente. Querendo um romance a curto prazo, já que ele estava se mudando para o hemisfério norte do planeta. E ele a teria despistado e ficaria de saco cheio. Afinal, as mulheres não entendem o que é uma relação de uma noite só.
O filme de amor teria virado filme de terror.