15 de fevereiro de 2011

Perfeita Simetria

Ela. Uma garota cheia de vida, de sonhos, de metas, de vontades. Personalidade forte e teimosia, conforme regia seu signo eram apenas umas das características que nela se fazia presente. Alegre, espontânea, desafiadora, aventureira, apaixonada. Pelo o que? Pelo o que a vida ainda podia mostrar ser. Qual a graça da vida se tudo for igual e regrado? “Amanhã? Sei lá, se eu estiver viva resolvo!” era sua frase constante.

Ele. Um homem formado. De muitos sonhos que sonhou, realizou. De muitas metas que colocou, alcançou. Personalidade forte, imagem marcante. Virginiano convicto, se é certo vamos fazer, se é errado vamos esconder. Antes, tinha uma caderneta onde marcava o que tinha que ser feito, como ser feito e o horário para ser concluído. Um dominador da tabela dinâmico de Excel, afinal de contas, tudo tinha que ser planejado e tabelado. Sério, mas alegre. Bonito, mas instigante. Apaixonado, mas com segredos. “Só estou agindo de acordo com o Código do Consumidor!” era sua frase favorita.

E um dia, numa noite de calor e regada a cerveja e samba, suas vidas se cruzaram e suas personalidades se encaixaram.

Era o casal perfeito, agradável de estar junto sem sentir vontade de gorfar. Acredite se quiser, casais assim, apesar de raros, existem.

Apesar de nada ser esquematizado e nem tudo improvisado, andavam no mesmo passo e roncavam na mesma sintonia. De segunda à quinta tudo era feito nos conformes, trabalho, cursos, faculdades e responsabilidades individuais. Sexta-feira seja o que Deus quiser, dançavam conforme o ritmo da música, de valsa europeia à Heavy Metal. Sábado de manhã, para onde quer ir? É só colocar gasolina e revezamos a direção, só precisamos voltar daqui 48 horas. Mochilas, barracas e um saco de Miojo Lamen no velho Uno Mille verde abacate e lá iam eles, ganhar a estrada pra Deus sabe onde.

Apesar de acharem brega, ela o chamava de menino, e ele a chamava de menina. O apelido ficou e pegou.

A lei era dar risada. Ser feliz. E foram. Quando um fala, o outro abaixa a orelha. Sem gritos, sem brigas, sem insultos, sem preconceitos, sem se desgrudar.

- Nada é eterno. Nem amor. Não posso dizer que te amo pra sempre, mas sei que hoje te amo o suficiente. – dizia ela com um sorriso encantador.

Ele retrucava e discordava.

- Te amo mais que tudo. Te amo pra vida toda.

- Cala a boca menino. – era a resposta final. E os dois caiam na gargalhada e entornavam o resto da garrafa de vinho.

A banda Engenheiros do Havaí julgaria esse relacionamento como a “perfeita simetria”.

Ela flamenguista. Ele tricolor fluminense. Iria dar certo? Deu. Durante dois anos viveram o lema “viva o inesperado e o inesquecível”. E os dois anos acabaram. E o amor também.

- Você vai me deixar?  - ela questionava.

- Vou. Não quero mais. –Ele respondia frio, sem encará-la, segurando com toda força o volante do Fiat Uno estacionado no meio-fio.

- Não me ama mais? – Ela segurava as lágrimas.

- Não!

- Mas você dizia que era pra vida toda – ela começava a soluçar. – Que era mais que tudo.

- E você dizia que nada é eterno. Nosso amor também não vai ser.

- O que aconteceu? Quando você percebeu isso? Faz tempo que você tem essa certeza?

- Menina, apenas...

- NÃO ME CHAMA DE MENINA!

- Desculpa... Não sei quando foi, mas aconteceu. Você tem tanta coisa pra viver e acho que nossos planos não se encaixam. Você quer viajar todo final de semana, e eu quero economizar. Você quer cair na noite sempre e dançar até o sol raiar, e eu quero assistir filme e comer pipoca. Você quer viver o improvisado, e eu quero casar. Você quer ganhar o mundo, e eu quero filhos. – Ele dizia com lágrimas nos olhos, ainda encarando o nada à sua frente.

- E desde quando esse meu jeito começou a ser empecilho pra você? Desde quando meu jeito começou a te incomodar? Desde quando nossos planos não são mais os mesmo? Me diz?? Desde quando você não me quer mais????

Silêncio.

Ele respira fundo. Solta as mãos do volante. A olha nos olhos pela ultima vez e vomita o que lhe angustiava.

- Desde de que eu conheci outra pessoa.

Silêncio ao cubo.

Ela se sentia como se tivessem a apunhalado o peito. Mas não havia punhal. Apenas palavras e verdades que doíam e sangravam muito mais.

Ela retoma a consciência. Parecia que as lágrimas haviam cessado. A dor havia passado em questão de segundos e cedeu lugar ao ódio e a raiva.

- Vá se foder.

Bateu a porta do carro e entrou em casa.

9 de fevereiro de 2011

O outro lado

Ok, ok... sei que disse que não iria publicar este conto, mas estava relendo-o esses dias, e é simplesmente sensacional pra deixar guardado na minha caixa de e-mails.
Em dezembro do ano passado escrevi o conto "Encontro Marcado". Dizem que pra cada situação e fato, existem diversas versões. Esta é a versão do outro lado da história, quem me enviou foi o "Gustavo", protagonista do conto anterior e me autorizou a publicá-lo.

Espero que gostem e fiquem rindo pra tela do computador assim como fiquei.


A pergunta de 1 milhão de dólares
Eram 4 da tarde. Dia cheio, corpo pesado. A bolsa de valores estava volátil e sem tendência definida. A pressão por resultados crescia e era importante ter criatividade para gerar negócios de valor. Nada dava certo. - Droga, pensou. A racionalidade ia perdendo espaço na medida em que começam a aparecer situações antagônicas. Era hora de começar fazer o contrário para ver se as coisas dariam certo.

Frio. - Cerveja?, diz ele na mesa de operações do banco de investimento. - Fechado!, responderam. Mas hoje é segunda feira,gritou outro. Ele sentia que alguma coisa interessante estava para acontecer.

Na mesa, agora do bar, as gravatas já estavam frouxas. O papo ia desde a meta estabelecida ao jogo do Coringão. Garçom, não deixe os copos esvaziarem. A primeira rodada de cerveja tinha que ser no vira vira. Quem perde vira novamente. Outro desafio. E tome mais um vira. E assim foram até as 20h. Ele precisava  aliviar. Buscava por algo que não sabia o que...

O instinto entrou em cena. Palavras como inacessível, impossível, intangível e intocável já não existiam mais. Mesmo sendo ela, estudante, inteligente, simpática, bonita, atraente, daquelas que não se encontra nem no dia de ação de graças. Mesmo tento excluído os "in" , o inconciente e o conciente travavam uma batalha.

C: - Não vai dar certo.
I: - Nunca se sabe.
C: - Agora!
I: - Espere...

Foi. Loucura. Sentou-se, olhou ao redor e não teve resposta. Insistiu. Hoje é um dia de desafios. Teve frieza e paciência, assim como atua no mercado financeiro quando eles estão agitados. Ninguém acreditou: ela, ele, a amiga e os colegas. Tudo indicava para uma noite estranha e potencialmente especial. Mas o que falar para alguém que estava num papo bom com a amiga em plena segunda feira? É óbvio que elas não estavam ali para paquera!

- Oi! Prazer!

Quem é esse cara?, pensaram elas..

- Gustavo! 

Lábio no rosto, olho no corpo, mão nas costas e pensamentos em outro planeta. Papo vai, papo vem.. Quanta mentira! Sou economista, professor universitário, gestor de fundo de ações e vim de Montes Claros - norte de Minas Gerais! (Hahahaha! Não sabia que na região do Vale do Jequitinhonha existia universidade!) Ele não deve passar de um segurança aproveitado o dia de folga para tomar uma cerveja depois de trabalhar o durante todo o final de semana!, pensaram elas.  E ele disse mais: Estou de mudança para os EUA! Hoje é mais um dia das minhas inúmeras despedidas! Até parece! No PUPPY da Av. Paulista?

Entre cigarros, prosas e garrafas de cerveja, algo começou a fazer sentido. A conversa fluia, o frio diminuia e o olhar se fixava. Parecia que os planetas estavam se alinhando para que a Terra não ficasse no centro de Marte e Venus. As barreiras iam se reduzindo, a desconfiança caindo e a curiosidade aumentando. O álcool contribuia para excitar o corpo carente de calor. O copo parecia recheado de idéias, pois a cada gole surgiam novos (bons) assuntos. De poesia a futebol, passando por carreira e sentimento, tudo se falava, tudo era divertido.

Alo!, atendeu o telefone. Sim, já saí do banco. Qual foi o problema? Não era possível.. teria ele que voltar ao trabalho depois de tanta coragem e desejo? Deve ser alguma namoradinha ligando e ele está apenas desfarçando, imaginou ela.

Algum problema?, perguntou.

Não! (sim, quero te beijar e não faço a menor idéia de como dizer).

Ele vai ao banheiro. Ela manda uma mensagem para a amiga que, ao perceber que rolava um clima, tinha se mandado. O que eu faço? Fico com ele? escreveu. Ele volta e, como um casal recém apaixonado eles... bem, ele pede a conta. Não acredito. Frouxo! Ela levanta, se ajeita e surpreendetemente ela é roubada .... de um beijo. Daqueles que se coloca música mais alta nos filmes. A conta chega na mesa e eles nem notam. As cadeiras já estavam sendo recolhidas e os corpos se perdiam entre uma mistura de frio e calor. A natureza é sábia e sabe que os opostos se atraem. A noite prometia: a menina perfeitinha e intocável tinha ficado com o rapaz estranho e instigante.

- Meu Deus! Vou perder o último ônibus. De mãos seguras e coração incerto, eles vao até o ponto. A 20 metros do destino, o fretado passa. Sim: era o destino, mas agora do futuro. Depois de tanta superação, era hora de dizer o que se aflorava. Como convidar uma pessoa para dormir na sua casa se vc a conhecera a pouco mais de 2 horas? Com certeza ela acharia que um tarado estava tentando fazer mais uma vítima. Mas o olhar nunca engana. De peito aberto, voz tremula mas firme, ele diz. Ela aceita. Meu Deus: melhor que final de campeonato brasileiro!

No caminho era hora de pensar no que fazer. Apesar de conclusões óbvias virem à cabeça, ele achava que nada aconteceria.Ela é demais. Isso é um sonho. Portanto, queria superar expectativas. Velas e músicas era o mínimo que se podia fazer. Ela é muito top para cair nessa, pensou. Mas era sincero. E ela tinha sensibilidade suficiente para saber se era algo artificial. Como boa poeta, sabia quando algo soava falso ou era cópia de outra situação. Em casa, os controles da razão perdiam a pilha e o tesão tomou conta do pequeno apartamento. As parecedes suavam e pareciam estar esperando para ver o desejo explodir. Boooooom! Simplesmente aconteceu, de forma forte, mas com carinho. Direto, mas com detalhes. Apesar de pouco tempo, intenso.

Eles dormem. O fogo (da bebiba) passa. Ele faz promessas. Ela volta a desconfiar do agora segurança de shopping. Sutilmente ele tenta provar a verdade lhe dando o cartão de visitas do banco. É pouco, pensa ela. No dia seguinte ele liga (impossível), responde email (como assim?) e depois some (Ah não!). Foi para NY dar continuidade no seu sonho.

O tempo passa. Mas a menina intelectual, sempre surpreendente, aparece. Escreve algo sensual. E também some. Ele, olhando para a janela, vendo a neve cair pela 5ª avenida de Manhattan, tenta contato. Voltam as promessas. O final? Assim como o mercado de ações, "imprevisível".

1 de fevereiro de 2011

Mas ele disse que iria ligar.

Vamos lá mulherada, quantos anos vcs têm?

15? 20? 25? 35?  Putz, 50? E ainda se faz a mesma pergunta “Porque ele não me ligou? Ele disse que ia ligar!”.

Ah vá, e você ainda não sabe motivo?

Quando aquele cara que esta gamadaço em vc fica esperando uma ligação sua e vc não liga conforme o combinado, ele liga talvez no dia seguinte e diz “Poxa, achei que vc fosse ligar!” qual é a primeira coisa que vc pensa em responder? “Nossa fulano, mil desculpas, é que está tudo tão corrido que eu não estou tendo tempo de nada”. Mas se vc quisesse mesmo ligar, arranjaria 5 minutinhos, concorda?

E é exatamente isso que ouvimos quando o cara dá um de joão sem braço e não liga, não é?

Dia desses estava num bar e tinham três meninas, na mesa ao lado, se queixando que “ele” não ligou, que o cara da empresa que uma delas estava saindo tinha tempo de ir tomar um café com a menina do comercial, e com ela... necasdepatibiriba. E que o outro nem se quer responde o SMS “pooooxa, custa ter pelo menos respondido o SMS? Isso é falta de educação”.

É tudo muito simples: quanto é 2 mais 2? Quanto??

Você sabe que é quatro, posso fazer essa conta na calculadora, contando palitinhos, somando grãos de feijão ou fazendo a lápis no papel. Mas vc quer que seja outro número, menos o óbvio. Ou então vc diz “Eu sei que acabou, mas quero ouvir isso dele. Falei desde o começo que quando não quiséssemos mais um ficar com outro era pra ser honesto e dizer”. E quando vc não quer mais ficar com o fulano chato das ligações vc dá o fora de fato? Claro que não, vai que um dia esteja sozinha num sábado a noite, vai perder a companhia garantida? Não mesmo. Então pq o cara tem que ser honesto, dizer todas as palavras, sílaba por sílaba sendo que ele já deu todos os sinais.

Só enxergamos aquilo que queremos ver. Pode ser óbvio, mas o óbvio muitas vezes machuca muito mais do que imaginamos, até porque acredito que um dos piores sentimentos é a rejeição. E logo depois se submeter a humilhação na procura constante do cara, mesmo já tendo levado todos os “nãos” possíveis.

Até onde isso vale a pena? Não precisa se desgastar em terapias e enfiadas em livros de auto-ajuda. Tudo é muito claro, basta querer enxergar.

Não existe idade para cometer esses erros de compreensão, mas chega uma hora que a ficha precisa cair né?!

Think about. 


Obs.: Nem tudo o que escrevo é sobre mim. Post dedicado à uma amiga que se pudesse abriria a sua cabeça e enfiaria todos esses pensamentos dentro daquela cachola grande!