11 de maio de 2012

Sabor variado


Carlinhos, o cara mais gato do cursinho. Timido, inteligente e estabanado de uma forma encantadora. Me lembro da nossa primeira transa. Minha primeira vez. Um drive-in, um gol bola verde, no rádio Go Go Dolls , uma caixa de cerveja, um baseado. Na verdade eu não lembro de nada... mas foi mais ou menos isso, sei lá... tenho uma vaga lembrança do que aconteceu. 

Faculdade. Eu Artes Cênicas (pq tem horas que eu sou melhor que a Fernanda Montenegro), ele Física (pq tem horas que ele é mais louco que... que... ta vendo? nem sei o nome de nenhum físico. Einsten, talvez?).

Comemoração de um ano de namoro. Pizzaria mequetrefe do bairro. Eu ali, me dedicando ao relacionamento com o cardápio. O que será que vai ser? Portuguesa? Não gosto de cebola. Siciliana? Ele não come bacon. E a conversa mais estranha.
- Estou apaixonado!

- Eu também te amo. E se pedissemos Siciliana com bacon só na metade?

- Apaixonado de uma forma que nunca estive. Penso nisso o dia todo. - Uau, finalmente. Depois de um ano de namoro a pessoa admite que esta apaixonado.

- Pensando bem é melhor não, vc tem alergia a carne de porco. 

- Só de pensar meu coração acelera. E quando o celular toca, a adrenalina é maior do que quando saltei de paraquedas.

Meu sorriso não negava minha felicidade. E meu estômago não negava minha fome.

- Eu sinto isso até hoje. 4 queijos?

- Não como parmesão. Nem gorgonzola. Nem catupiry.

- Rúcula com tomate seco? hum...não? -Jesus, Maria e José, que difícil escolha. Até escolhermos o sabor, o garçom tirar o pedido, fazer a pizza e servir.... morri. Devia ter comido pelo menos um pão em casa antes de sair.

- Quero viver isso pra sempre. Vc consegue entender?

- Claro que vamos viver, esse é só o primeiro ano... de muitos. Esfirra?

- Na verdade o último.

- Oi?! Vou chamar o garçom! -  Calma lombriguinhas já alimentarei vcs, minhas filhas.

- Estou apaixonado... por...

- Essa parte eu já entendi. Mussarela, de novo? só pra variar (ironia é apelido).

- ... outra pessoa. Variando....

- Oi?! - Era a fome, um dos sintomas da fome é alucinação!

- Oi....

- Oi????? - porra, sempre me dedicava ao relacionamento com o cardápio pra tentar escolher algo que ele coma. E era sempre...


- Mussarela esta ótimo! - Tá vendo, sempre é mussarela.

- Vou variar também. Pão com mortadela está ótimo.... na padaria da frente. Sozinha.

Será que ele não podia terminar o namoro depois de comer a pizza? Devia ter escolhido de siciliana, com bastante bacon, ou de lombo. Alergia de cú é rola.

10 de fevereiro de 2012

Apenas mais uma de amor

Consegui. Era o que pensava enquanto aquela língua áspera e gostosa, com o amargo gosto da cerveja invadia minha boca. A banda que agitava aquela noite tocava animadamente alguma coisa do Marcelo Jeneci, ou Los Hermanos ou Lobão. E eu ali... com os braço presos em seu pescoço, total recíproca ao beijo e pensando pela milésima vez “Eu consegui”.

Engraçado a sensação de quando se quer rir e beijar ao mesmo tempo. A boca fica dura e a bochecha começa a doer. A cabeça roda a milhão em pensamentos. Pára de querer rir e beija direito caramba.

Marcelo Jeneci, ou Los Hermanos ou Lobão deviam ter letras de músicas maravilhosas, pois a galera cantava pra lá de animado algo sobre o amor. Preciso escutar mais um desses três.

Um, dois, cinco, oito, quinze, perdi a conta de quantos beijos foram, quantas cervejas, quantos “você é linda” foram ditos e não consigo lembrar qual era o cover que a banda fazia.

O show cover do Marcelo Jeneci, ou Los Hermanos ou Lobão vai chegando ao fim, o pub esvaziando e a fila para pagar a comanda vai se formando. O convite para estender a noite, a aceitação.

A noite desejada há 2 anos. A superação de uma expectativa que impossibilita a inexistência de novas expectativas. A descoberta de novas qualidades. O encantamento. A vontade. O sono. O cansaço. A resistência. A conchinha que se forma. “Não me mate amanhã, quando eu deletar o que aconteceu”.  O sorriso que se desfaz e a realidade que cai em si.

“Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz” era algo assim que tocava “... Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada. Toda Bossa Nova e você não liga se é usada. Todo carnaval tem seu fim, seu fim.” Era Los Hermanos