10 de fevereiro de 2012

Apenas mais uma de amor

Consegui. Era o que pensava enquanto aquela língua áspera e gostosa, com o amargo gosto da cerveja invadia minha boca. A banda que agitava aquela noite tocava animadamente alguma coisa do Marcelo Jeneci, ou Los Hermanos ou Lobão. E eu ali... com os braço presos em seu pescoço, total recíproca ao beijo e pensando pela milésima vez “Eu consegui”.

Engraçado a sensação de quando se quer rir e beijar ao mesmo tempo. A boca fica dura e a bochecha começa a doer. A cabeça roda a milhão em pensamentos. Pára de querer rir e beija direito caramba.

Marcelo Jeneci, ou Los Hermanos ou Lobão deviam ter letras de músicas maravilhosas, pois a galera cantava pra lá de animado algo sobre o amor. Preciso escutar mais um desses três.

Um, dois, cinco, oito, quinze, perdi a conta de quantos beijos foram, quantas cervejas, quantos “você é linda” foram ditos e não consigo lembrar qual era o cover que a banda fazia.

O show cover do Marcelo Jeneci, ou Los Hermanos ou Lobão vai chegando ao fim, o pub esvaziando e a fila para pagar a comanda vai se formando. O convite para estender a noite, a aceitação.

A noite desejada há 2 anos. A superação de uma expectativa que impossibilita a inexistência de novas expectativas. A descoberta de novas qualidades. O encantamento. A vontade. O sono. O cansaço. A resistência. A conchinha que se forma. “Não me mate amanhã, quando eu deletar o que aconteceu”.  O sorriso que se desfaz e a realidade que cai em si.

“Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz” era algo assim que tocava “... Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada. Toda Bossa Nova e você não liga se é usada. Todo carnaval tem seu fim, seu fim.” Era Los Hermanos