27 de setembro de 2010

Um dia, quem sabe?

"Bye Baby, se der eu volto. Se der."
Qual o sentido de amar uma pessoa e ouvir “Vc é a pessoa certa, mas no tempo errado!” ou então “Ahhh, vc ainda tem tantas coisas pra viver!”, ou, como já ouvi uma vez “Vc é maravilhosa, mas preciso curtir a vibe. É uma vibração muito louca!” (sim, ouvi isso do meu primeiro namorado enquanto estava na fila do poupatempo pra tirar a segunda via do RG... Claro que sai da fila pra ter um DR – que não adiantou muita coisa-).

Sempre fui da seguinte opinião: Nada é eterno. Tudo o que começa, termina. Se casou, pode se divorciar. Se engravidou, ainda são 9 logos meses. Se mora perto, pode se mudar pra outro hemisfério. Se nasceu sem imperfeições, um dia pode se envolver em algum acidente e ter algum tipo de seqüela. Se, e se, e se... Se eu te amo hoje, um dia posso deixar de te amar.

Nada é eterno, a não ser amor de pai e filho. Não existe a possibilidade de amar alguém e não estar com esta pessoa quando se é recíproco. Existe a possibilidade de amar sozinho. Mas se a recíproca é verdadeira...

Hoje ouvi essa frase no final de um filme na qual o casal não ficam juntos sempre te amei...e sempre irei te amar...por tudo o que vivemos e por tudo o que poderemos viver...isso não irá mudar... vc pode achar outra pessoa, começar a namorar, casar e ter filhos...mas vc será sempre minha...e eu serei sempre seu... uauuuu, sim me debuli em lágrimas, porque eu choro até com o comercial da Doriana. Parênteses: conheci uma pessoa que esta disposto a processar a margarina Doriana por causa de seus comerciais de café da manhã idealizados. Fecha parênteses. Como já disse, no final eles não ficam juntos e também não sei como ficam. Imaginação fértil: O cara acaba casando e tendo uma penca de filhos, passado alguns anos fica barrigudo, careca, orelhas grandes e colesterol alto, ah claro, sem esquecer da pressão alta. Ela viajou para vários lugares, conheceu várias pessoas, mas nunca se aquietou em nenhum lugar nem com ninguém, ela queria a imagem semelhança da perfeição, e demoraria mais alguns anos pra perceber que isso não existe. O ideal é apenas uma coisa que os jovens tem em mente e insistem e matutam em ir em busca (segundo opinião do leitor Claudio, que concordo plenamente).

Será que algum dia, dessa vida perfeita na qual ele levava ele lembrou da promessa? Ele rezou por ela, mesmo não sabendo como ela estava, mas rezou e desejou o bem só pelo simples fato de amar? Será que algum dia, numa dessas bebedeiras louca da vida, dessas saídas inesperadas ela pensou nele? Ela fechou os olhos e imaginou ele e rezou pelo seu bem, mesmo não sabendo seu paradeiro?

Como dirima os religiosos, o futuro só a Deus pertence. Assistindo esse filme, eu digo, o futuro só a mim pertence. Não posso fazer promessas e juras de amor de coisas que não dependem apenas de mim.

Se vc encontrou a pessoa certa, se é que existe só uma pessoa certa para cada pessoa (que complexo), é o tempo certo. Não dá para simplesmente voltar e dizer “então queridão, já vivi tudo o que tinha pra viver... e agora?!” ou então “Ahh, a vibe acabou e a rave foi louca... e vc é a mulher da minha vida!”

17 de setembro de 2010

Bola de Neve

Quarta-feira, 28 de Julho. Estação Vila Olímpia, O trem não estava cheio, mas também não havia acentos vagos. Novidade? Não, lógico que não. Ainda mais para um fim de tarde friorento e cansativo.
É engraçado observar as expressões das pessoas. Alguns lêem, outros sorriem sozinhos, dormem de boca aberta, conversam alto, insistem em ouvir pancadão sem fone de ouvido, e outros insistem em encoxar as mocinhas bonitinhas e dar desculpa que foi o tranco do trem.
Um garoto muito bem arrumado, uns vinte e tantos anos de terno e gravata, mochila nas costas e um livro com capa e tamanho semelhante ao Grande Dicionário Aurélio da década de 80, que levava o título de “Bola de Neve”. Com a mão direita segurava a barra do trem e na outra o grande livro. Seu celular toca. E agora o que fazer? Largar o livro ou a mão na qual se segurava para pegar o celular que berrava dentro da sua mochila?
Eis que vê sua salvação momentânea, uma garota de cabelos longos preto, maquiagem forte, unhas roídas pintadas de vermelho sangue, blusa azul com uma grande estampa “TIM. Viver Sem Fronteiras” e uma calça jeans surrada.
- Oi, você pode segurar pra mim, por favor?!
- Claro! – responde a garota soltando uma das mãos da barra, ajeitando a bolsa no ombro e pegando o livro das mãos do rapaz.  Ele se alonga na conversa no celular e ela dá uma olhada na orelha do livro. Do alto falante do trem uma voz feminina indica a estação. Cidade Jardim.
- Muito obrigado – diz o rapaz desligando o celular, enfiando-o no bolso e resgatando seu livro.
- Você vai ler isso tudo? – pergunta a moça espantada.
Com um sorriso e meio sem graça ele responde:
- Vou sim. Os homens mais ricos do mundo leram este livro.
- E sobre o que o livro fala? – ainda curiosa, ela o questiona.
- Sobre um dos homens mais ricos e influentes do mundo, do nada ele conseguiu fazer uma fortuna. – Foi a melhor explicação que ele conseguiu dar, até porque, se ele dissesse que o livro é sobre um cara chamado Warren Buffet, ela não saberia quem é esse tal cara.
- Hum… que legal, parece ser interessante. – Ela diz sem muita convicção.
- É, é sim.
“Os acentos de cor cinza são de uso preferencial. Por favor, respeite este direito. Próxima estação: Hebraica-Rebouças”. A voz robótica informa novamente.
- É engraçado como não respeitam as pessoas com preferências né?
- Oi?! – Pergunta a menina meio desligada.
- Hum… nada não. – e ele fica pensando se ela realmente não havia escutado a pergunta ou tinha achado patético o suficiente para ignorar.
- Você pega este trem todos os dias? – ela pergunta no impulso.
- Pego sim. Trabalho num banco de investimentos na Berrini e estudo Engenharia na UniABC, em Santo André. Este é o meio mais rápido. Engenharia… ham.. coisa de louco e tarado por números e contas mirabolantes. E você? – Ele faz cara de quem se arrependeu do tamanho da resposta que deu, e acha melhor ter respondido só “sim” ou “não”.
-Ah não, não faço engenharia não.
Ele ri alto e retruca
- Não! é… não me expressei direito. Eu quis perguntar se você pega sempre o trem.
Ela sorri sem jeito.
- Não, eu estava na Berrini por causa de uma confraternização da empresa. Trabalho na TIM.
- É, eu percebi.
- Pois é, com essa blusa berrante é difícil não perceber mesmo. Mas é porque estava tendo um evento, com comes e bebes. Infelizmente não pude ficar até o final, tenho prova do colégio, e nem estudei.
- Prova da onde? – ele pergunta como se não tivesse ouvido direito.
- DO COLÉGIO – ela responde mais alto e com timidez. Não por ter respondido mais alto, mas do que havia respondido.
- Colégio? Legal… – lógico que não era legal – é, desculpa a pergunta, mas quantos anos você tem?
- 16.
Próxima estação: Pinheiros. A pratica de venda dentro das estações de trem é crime. Não compre! Não dê esmolas! Ajude uma entidade de sua confiança.
“Puta merda!!! Pedofília!” Era isso que o garoto engravatado pensava. De repente o livro começou a pesar mais que dez enciclopédias, sua mochila parecia conter tijolos de construção, e o trem parecia voar pelos trilhos. “Espera! Isso não quer dizer nada”.
- Nossa, você parece ser mais velha. Te dava uns 19 anos. – Ele diz meio sem graça
- É, normalmente as pessoas acham que tenho mais idade. – ela responde com a maior naturalidade, como se já estivesse acostumada com este fato. – Então, como estava dizendo, moro e trabalho em Carapicuíba, só estava nesta região por causa do evento. – Ela retoma o assunto com a maior naturalidade.
- Que bom que você pegou o trem. É a forma mais rápida realmente de chegar. E pudemos nos conhecer, olha que legal. Qual seu nome?
Momento xaveco iniciando, depois de três estações e 10 minutos.
- Thaísa. – Ela responde rápido e não devolve a pergunta.
- Bonito nome.
O trem começa a andar em velocidade menor. Os carros passam lentamente pela marginal pinheiros, e o som da buzina é incessante.
O rapaz sem se identificar continua a conversa ignorando o barulho da via.
- Eu bem que queria comprar um carro, mas as vezes acho que não vale a pena. Sem contar esse transito louco de São Paulo.
- É verdade, mais os gastos para manter né? É seguro, gasolina, estacionamento, licenciamento, IPVA e o que mais imaginar. – Ela completa o pensamento dele, se achando muito inteligente pela observação feita.
- Com certeza.
- Mas você vai ler este livro e vai ser milionário, esqueceu? E influente também. Vai conseguir comprar o seu carro antes do que imagina. – ela diz com desdém.
Ele da uma risada discreta.
Próxima estação: Cidade universitária. Acesso para à linha verde pela Ponte Orca. Ao desembarcar, cuidado com o vão entre o trem e plataforma.
Após o anuncio da localização, ele olha pra ela e diz.
- Eu desço na próxima.
-Ah, tudo bem. Foi um prazer te conhecer. – ela diz dando espaço para que ele passe.
- Olha só, quando eu tiver meu carro posso te dar uma carona. O que acha?
- Eu aceito – ela diz rindo e esperançosa.
O trem para na plataforma.
- Ou melhor, como vou ser milionário, posso te dar um carro também.
A porta se abre.
- E você daria um carro para alguém que você mal conhece? – ela questiona querendo que ele responda o mais rápido possível antes que o empurrem dali.
Começa a confusão. As pessoas começam a desembarcar e embarcar do trem ao mesmo tempo.
- Pra você? Claro. – Ele responde já saindo.
- Por que??? – ela retruca afoita.
Já fora do trem, de pé na plataforma ele responde sério.
- Porque eu vou casar com você.
A porta do trem se fecha, e ela, ainda segurando na barra de segurança, da um sorriso que lhe cobre o rosto.
Próxima estação: Jaguaré. Não segure as portas após o sinal. Evite atrasos e acidentes.
E ele sobe as escadas no sentido oposto.

12 de setembro de 2010

Era uma vez...

Ok, só em filmes Hollywoodianos que a mocinha pode ser vaca assim de primeira que mesmo assim o bonitão irá cair de quatro por ela, persegui-lá, ligar, mandar e-mail, sms, sinal de fumaça, enfim... não vai sair da cola da garota bonitinha, magrinha e delicadinha enquanto ela não aceitar o convite dele para jantar, ou só... tomar um café!

Porque mesmo calejadas de assistir esses filmes ainda achamos que um dia pode ser diferente e encontrar um amor em lugares totalmente inusitados como em salas de embarque de aeroportos, festa de criança, um cara que vc dividiu a mesa numa praça de alimentação, alguém que vc viu por 10 segundos em um elevador lotado, chefes/supervisores/superintendentes e afins, ou numa mesa de bar de happy hour.

Mas aí, depois que vc encontra o homem da sua vida, o cara ideal durante uma noite, que mesmo sem intimidade parece tão intimo, que tem os mesmo gostos, vontades e sonhos. Aí vem o problema. Vocês não podem ficar juntos. É... triste né?! Também acho. Sabe o que impede vocês?

Ele tem medo de relacionamentos. Ele é casado (então não era o cara perfeito?!). Ele é esquizofrênico. Ele é pai solteiro (isso não é impedimento, a menos que vc assim como eu, tenha medo de criancinhas chatas, birrentas e catarrentas). Ele tem câncer terminal e não quer te fazer sofrer. Ou, ele vai se mudar para a parte norte do hemisfério (qualquer semelhança é mera coincidência).

Será que eu realmente tinha achado que viveríamos uma aventura louca durante duas semanas regada de paixão, tesão, apreciação, curiosidade e transas intermináveis e maravilhosas? Bem que dizem que o meu problema é fantasiar qualquer aperto de mão mais forte ou um abraço mais demorado.

Sim, sim e sim, eu tinha pensado em tudo isso e achei que seria uma louca paixão durante duas semanas. Qual mulher que não fantasia, ou não fantasiou pelo menos uma vez na vida que atire a primeira pedra (lembre-se, eu disse “pelo menos uma vez na vida”).

É caros, temos duas opções: desiludir de casos de uma noite só, ou tomar essas experiências como exemplos e tentar fazer diferente nas próximas. Mas isso não quer dizer que nunca vamos fazer as mesmas burradas (ou piores) e depois pensar “Se eu pudesse ter feito diferente desta vez”... essa é sempre a frase da lamentação, mas isso fica pro próximo post.

11 de setembro de 2010

Bem vindo a bordo

Para começarmos com o pé direto:

“O amor não acaba. Deixa rastro. Na padaria em que se beijaram a primeira vez, lá está ele, na poeira suspensa, na revolta da memória. Na solidão do domingo, lá vem ele, volta com lamento, um desespero. No teatro, no palco de história de amor, no cinema, na tela com beijos e risos, na tevê, que inveja, já tive um amor igual. Onde ele se escondeu?

Na pizzaria, o amor volta em lembranças. Porque aquela pizza era a preferida dela, aquela massa era a preferida dela, aquela pizzaria era a preferida dela, aquela esquina, bairro, clima, lua, aquele mês era o preferido dela, a temperatura, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos para a noite.

No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, riscar nas paredes: ‘Eu te amo’. Não se tem saudades do que não se ama.

Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei dias amando como se não tivesse acabado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. O não amor é vazio. O anti- amor também é amor.
                                                                                 
Lembra do meu dedo dentro de você? Te chupo. Amo aquele instante secreto, quando sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz, com tanta verdade ‘Eu te amo!’ O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades da minha boca, pescoço, ovos mexidos, das noites assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol e pelo chão, do café- da- manhã com jornal, de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, do cinema gelado em que vimos aquele filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, da minha risada, dos meus olhos te espiando, meus dentes te mordendo.

Ficou longe de mim e pensou em nós todas as noites, bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever. Meu vulto estava sempre presente...

Diz: não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não-correspondido. Pode se amor com ódio, paixão com amor, frustrado, mal resolvido. Tem o amor e o nada. Mas o nada também é amor. O amor não acaba. Vira. Só tenho uma certeza. Se acabar, não era amor”.

 Marcelo Rubens Paiva, "A Segunda Vez Que Te Conheci".