11 de setembro de 2010

Bem vindo a bordo

Para começarmos com o pé direto:

“O amor não acaba. Deixa rastro. Na padaria em que se beijaram a primeira vez, lá está ele, na poeira suspensa, na revolta da memória. Na solidão do domingo, lá vem ele, volta com lamento, um desespero. No teatro, no palco de história de amor, no cinema, na tela com beijos e risos, na tevê, que inveja, já tive um amor igual. Onde ele se escondeu?

Na pizzaria, o amor volta em lembranças. Porque aquela pizza era a preferida dela, aquela massa era a preferida dela, aquela pizzaria era a preferida dela, aquela esquina, bairro, clima, lua, aquele mês era o preferido dela, a temperatura, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos para a noite.

No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, riscar nas paredes: ‘Eu te amo’. Não se tem saudades do que não se ama.

Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei dias amando como se não tivesse acabado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. O não amor é vazio. O anti- amor também é amor.
                                                                                 
Lembra do meu dedo dentro de você? Te chupo. Amo aquele instante secreto, quando sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz, com tanta verdade ‘Eu te amo!’ O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades da minha boca, pescoço, ovos mexidos, das noites assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol e pelo chão, do café- da- manhã com jornal, de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, do cinema gelado em que vimos aquele filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, da minha risada, dos meus olhos te espiando, meus dentes te mordendo.

Ficou longe de mim e pensou em nós todas as noites, bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever. Meu vulto estava sempre presente...

Diz: não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não-correspondido. Pode se amor com ódio, paixão com amor, frustrado, mal resolvido. Tem o amor e o nada. Mas o nada também é amor. O amor não acaba. Vira. Só tenho uma certeza. Se acabar, não era amor”.

 Marcelo Rubens Paiva, "A Segunda Vez Que Te Conheci".

2 comentários:

  1. Lindo! Queremos ver os seus textos maravilhosos! Obs.: dúvido que você nao vai falar do Curinthians!!!

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  2. Gabi dê asas a sua imaginação, criatividade, vivências, amor, .... vc irá longe, assim como uma pessoa que conheci um dia e tão viva em mim. Obrigada por isso. Te amoooooooooo

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