7 de dezembro de 2010

Encontro Marcado

Ela sempre se encontrava com a amiga naquele mesmo bar, na mesma hora e no mesmo dia da semana.
O que tanto conversavam? Novidades da semana, trabalho, a vida dos amigos em comum, enfim,  o que não faltava era assunto e a vontade de tomar aquela cerveja gelada, mesmo com o frio de 15°C que fazia na Av. Paulista.
Na mesa à frente, três amigos conversavam entusiasmados e observavam as duas garotas da outra mesa que bebiam e fumavam seus cigarros sem perceberem os admiradores.
O primeiro vem à mesa delas e simplesmente se senta na cadeira vaga.
Mas que atrevimento. A morena continuou conversando com a amiga como se nada tivesse acontecido, como se não houvesse nenhum intruso na mesa.
Ela acaba a história. Termina a cerveja num só gole. Dá uma longa tragada em seu Malboro Light. E diz:
- Pronto. Agora você pode se apresentar!
Uau, que garota intimidadora.
- Ah, oi... eu só... só... queria conhecê-las.
A loira fica olhado para a amiga e para o intruso sem saber o que responder e o que fazer, por via das duvidas resolveu que não tomaria a decisão. Começa então o ritual de apresentações entre eles.
- Hum... Gustavo? Bonito nome.
Então era isso. A loira, a morena e o Gustavo sentados num bar pé sujo da Av. Paulista, às 21hrs de uma segunda-feira, pedindo que o garçom trouxesse a oitava garrafa de Brahma.
Que perfume, que clima, que boca, que pele. Meu Deus o que digo agora? O que digo?
- Café?
- Não obrigada, vou ficar na cerveja mesmo.
- Ahh, não. Café é a cor do seu esmalte?! – Meu Deus me abduz daqui, por favor. Não acredito que disse isso.
Não acredito que ele fez esse comentário.
- Não sei. Você é manicure?
¬¬ (cri cri cri)
- Desculpa. Só foi uma piada, não precisa ficar sem graça. Na verdade eu não sei que cor é o meu esmalte. Não ligo muito nessas coisas, apenas digo “ei, qual é o esmalte mais chamativo que você tem?!” então, vai ser aquele diferente e mais chamativo que eu vou passar.
A loira então se faz presente.
- Pois é, ela não é dessas que liga pra essas coisas de “mulherzinha” como ela mesmo diz, não é muito chegada a compras, salões de beleza e odeia shoppings em finais de semana e qualquer outro dia da semana.
Ele olha pra morena e diz:
- Do que você gosta então?
- Hum... cerveja, futebol e mulher.
- Ah, gostamos das mesmas coisas então – lésbica? Será?
- Tá legal, eu estava brincando... quer dizer, a parte da “mulher”. Eu gosto de futebol e cerveja... ah,  um whisky também é sempre bem-vindo.
Décima terceira cerveja, segundo maço de Malboro Light e um pouco mais das dez da noite. Ela é estudante de administração, trabalha numa empresa ali perto, mora numa cidade distante e depende do horário do fretado e não perde um jogo do seu querido Timão. Ele, formado em economia, professor universitário as terças e quintas, gerente de um banco de investimento e dali há duas semanas seria transferido para o número 700 da 5ª avenida, Nova York, EUA.
- Que triste, mal te conheci e você já vai se mudar pra outro país.
- Destino. Acredita nisso?
Se beijaram como se fosse o ultimo beijo. Mas era o primeiro. Mão na nuca, mão na perna, mão no rosto. Cuidado com o copo de cerveja. A loira foi embora. Beijo, beijo e mais beijos. Beijos incansáveis, beijos com gosto de paixão, beijos com gosto de descoberta, beijos com gosto de curiosidade, beijos com gosto de tesão e desejo.
- Eu preciso ir embora, se não perco o ultimo fretado.
Eles andam de mãos dadas, no mesmo passe, com o mesmo olhar. Andam como se fossem íntimos. Ele lhe entrega seu cartão de visitas e pede para que ela entre em contato.
O ônibus se aproxima e eles ainda não chegaram perto do ponto. Quero dormir com ele. Quero passar essa noite com ele. Pelo menos uma vez na vida. Eu quero, o que faço? Eu quero, o que faço? O ônibus se aproxima em alta velocidade. Meu Deus, o que faço? É perigoso.  E se ele for um maníaco? E se ele for um psicopata? O que faço? O que faço? Foda-se.
- Droga!!! Meu ônibus acabou de passar. – Sínica.
- E agora?
- Bom, eu tenho um amigo que mora aqui perto, posso pedir abrigo a ele. Sem problemas. – tomara que ele me convide.
Ele pensa. Segura sua mão. Aperta. Olha com desejo. Olha com ternura.
- Eu sei que pode parecer estranho, mas eu moro há umas seis quadras daqui. Posso te dar abrigo também... se você quiser.
Yesss, deu certo. Ela faz charme, diz que não o conhece direito, que não sabe, esta em duvida. Ela quer, e ambos sabem disso. Eles vão.
Elevador. 11º andar. Quanto andar. Se ele me jogar de lá de cima eu me esborracho no chão feio. Não pensa nisso.
Eles entram. O apartamento é pequeno mas bem aconchegante. Uma mesa de jantar com quatro lugares. Sofá pequeno, televisão, mesa de centro, parede azul, uma mini adega, mesa de aparato, espelho, suportes de velas, e da onde estava ainda conseguiu ver uma planta samambaia na varanda.
- Quer beber algo? Eu tenho whisky 12 anos, você disse que é apaixonada por whisky.
-Claro, quero sim. Obrigada. Posso usar o banheiro?
- No corredor a primeira porta à direita.
Tensão.
Apreensão.
Tesão.
A morena sai do banheiro. No CD Player toca Creep do Radiohead. As velas antes apagadas, agora mostram vida e iluminam mais ainda a parede azul.
Um copo de whisky e um homem engravatado arranhando alguma coisa no violão. Que sorte a minha.
Uma morena na minha casa, vou tentar arranhar algo no violão para impressionar, mulher adora isso, e uma noite inteira ainda. Que sorte a minha.
Ela bebe três doses de whisky, somado as cervejas que já haviam bebido, eles se embriagam. Vão para o quarto.
Ela veste uma camiseta branca e uma calça de moletom preta do anfitrião. Se deita do lado direito da cama. Ele volta à sala, apaga as velas, tira a roupa e deita do lado da morena. Se aconchegam e transam loucamente durante um tempo.
Ela repetia inúmeras vezes que é a primeira vez que ela dorme na casa de um “estranho”, que não faz essas coisas, mas que com ele a vontade era muito maior do que a razão. Ele dá risada, lógico que não acredita.
Impossível de acreditar, e pensava se aquilo realmente era verdade. Sim, era verdade.
Eles dormem cada um para um lado da cama. Sono profundo.
O despertador toca as sete da manhã. Ele levanta, vai até o banheiro e fecha a porta.
Ela acorda, fica apreensiva. E agora, o que fazer? Escuta o barulho do chuveiro.
Ele volta enrolado numa toalha. Olha pro quarto e não vê ninguém. Vai até a cozinha. Vazia. Na sala também não havia ninguém. Ele volta para o quarto, vê a cama ainda desarrumada e o cartão de visitas que havia dado à ela na noite anterior. Coça a cabeça. Olha para o espelho e vê um bilhete.
“Gustavo, adorei a noite. Você é uma pessoa maravilhosa. Boa sorte nesta nova etapa da sua vida”.
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Mas ela nem levou o cartão? Nem deixou um e-mail, telefone, algum contato? Fugiu, e o único rastro que deixou foram alguns fios de cabelo no travesseiro.
Foi melhor assim, porque do contrário ela teria ligado e/ou mandado e-mails querendo vê-lo novamente. Querendo um romance a curto prazo, já que ele estava se mudando para o hemisfério norte do planeta. E ele a teria despistado e ficaria de saco cheio. Afinal, as mulheres não entendem o que é uma relação de uma noite só.
O filme de amor teria virado filme de terror.

7 comentários:

  1. Eu compraria todos os livros que você escrevesse na vida!!! Todos! Texto ótimo, sem exageros... no ponto certo... adorei!

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  2. Adorei amiga, muito bom, mas vc esqueceu daquela parte que dou muita risada "sapatilha da Sandy" hehehehehehe beijos

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  3. Parabéns amiga,achei seu melhor post,bih!hahahahaha!ri mto!

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  4. Parabéns...muito bem escrito....

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  5. Recebeu minha versão?
    "Gustavo"

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  6. Eiii anônimo... não recebi versão nenhuma não.
    mande para meu e-mail mendesgabi@hotmail.com
    bjos.

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  7. hahahahaha demorei, mas li! ficou mto bom! eu ri mto tbm, como sempre! hauhauha

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