Ok, ok... sei que disse que não iria publicar este conto, mas estava relendo-o esses dias, e é simplesmente sensacional pra deixar guardado na minha caixa de e-mails.
Em dezembro do ano passado escrevi o conto "Encontro Marcado". Dizem que pra cada situação e fato, existem diversas versões. Esta é a versão do outro lado da história, quem me enviou foi o "Gustavo", protagonista do conto anterior e me autorizou a publicá-lo.
Espero que gostem e fiquem rindo pra tela do computador assim como fiquei.
A pergunta de 1 milhão de dólares
Eram 4 da tarde. Dia cheio, corpo pesado. A bolsa de valores estava volátil e sem tendência definida. A pressão por resultados crescia e era importante ter criatividade para gerar negócios de valor. Nada dava certo. - Droga, pensou. A racionalidade ia perdendo espaço na medida em que começam a aparecer situações antagônicas. Era hora de começar fazer o contrário para ver se as coisas dariam certo.
Frio. - Cerveja?, diz ele na mesa de operações do banco de investimento. - Fechado!, responderam. Mas hoje é segunda feira,gritou outro. Ele sentia que alguma coisa interessante estava para acontecer.
Na mesa, agora do bar, as gravatas já estavam frouxas. O papo ia desde a meta estabelecida ao jogo do Coringão. Garçom, não deixe os copos esvaziarem. A primeira rodada de cerveja tinha que ser no vira vira. Quem perde vira novamente. Outro desafio. E tome mais um vira. E assim foram até as 20h. Ele precisava aliviar. Buscava por algo que não sabia o que...
O instinto entrou em cena. Palavras como inacessível, impossível, intangível e intocável já não existiam mais. Mesmo sendo ela, estudante, inteligente, simpática, bonita, atraente, daquelas que não se encontra nem no dia de ação de graças. Mesmo tento excluído os "in" , o inconciente e o conciente travavam uma batalha.
C: - Não vai dar certo.
I: - Nunca se sabe.
C: - Agora!
I: - Espere...
Foi. Loucura. Sentou-se, olhou ao redor e não teve resposta. Insistiu. Hoje é um dia de desafios. Teve frieza e paciência, assim como atua no mercado financeiro quando eles estão agitados. Ninguém acreditou: ela, ele, a amiga e os colegas. Tudo indicava para uma noite estranha e potencialmente especial. Mas o que falar para alguém que estava num papo bom com a amiga em plena segunda feira? É óbvio que elas não estavam ali para paquera!
- Oi! Prazer!
Quem é esse cara?, pensaram elas..
- Gustavo!
Lábio no rosto, olho no corpo, mão nas costas e pensamentos em outro planeta. Papo vai, papo vem.. Quanta mentira! Sou economista, professor universitário, gestor de fundo de ações e vim de Montes Claros - norte de Minas Gerais! (Hahahaha! Não sabia que na região do Vale do Jequitinhonha existia universidade!) Ele não deve passar de um segurança aproveitado o dia de folga para tomar uma cerveja depois de trabalhar o durante todo o final de semana!, pensaram elas. E ele disse mais: Estou de mudança para os EUA! Hoje é mais um dia das minhas inúmeras despedidas! Até parece! No PUPPY da Av. Paulista?
Entre cigarros, prosas e garrafas de cerveja, algo começou a fazer sentido. A conversa fluia, o frio diminuia e o olhar se fixava. Parecia que os planetas estavam se alinhando para que a Terra não ficasse no centro de Marte e Venus. As barreiras iam se reduzindo, a desconfiança caindo e a curiosidade aumentando. O álcool contribuia para excitar o corpo carente de calor. O copo parecia recheado de idéias, pois a cada gole surgiam novos (bons) assuntos. De poesia a futebol, passando por carreira e sentimento, tudo se falava, tudo era divertido.
- Alo!, atendeu o telefone. Sim, já saí do banco. Qual foi o problema? Não era possível.. teria ele que voltar ao trabalho depois de tanta coragem e desejo? Deve ser alguma namoradinha ligando e ele está apenas desfarçando, imaginou ela.
- Algum problema?, perguntou.
- Não! (sim, quero te beijar e não faço a menor idéia de como dizer).
Ele vai ao banheiro. Ela manda uma mensagem para a amiga que, ao perceber que rolava um clima, tinha se mandado. O que eu faço? Fico com ele? escreveu. Ele volta e, como um casal recém apaixonado eles... bem, ele pede a conta. Não acredito. Frouxo! Ela levanta, se ajeita e surpreendetemente ela é roubada .... de um beijo. Daqueles que se coloca música mais alta nos filmes. A conta chega na mesa e eles nem notam. As cadeiras já estavam sendo recolhidas e os corpos se perdiam entre uma mistura de frio e calor. A natureza é sábia e sabe que os opostos se atraem. A noite prometia: a menina perfeitinha e intocável tinha ficado com o rapaz estranho e instigante.
- Meu Deus! Vou perder o último ônibus. De mãos seguras e coração incerto, eles vao até o ponto. A 20 metros do destino, o fretado passa. Sim: era o destino, mas agora do futuro. Depois de tanta superação, era hora de dizer o que se aflorava. Como convidar uma pessoa para dormir na sua casa se vc a conhecera a pouco mais de 2 horas? Com certeza ela acharia que um tarado estava tentando fazer mais uma vítima. Mas o olhar nunca engana. De peito aberto, voz tremula mas firme, ele diz. Ela aceita. Meu Deus: melhor que final de campeonato brasileiro!
No caminho era hora de pensar no que fazer. Apesar de conclusões óbvias virem à cabeça, ele achava que nada aconteceria.Ela é demais. Isso é um sonho. Portanto, queria superar expectativas. Velas e músicas era o mínimo que se podia fazer. Ela é muito top para cair nessa, pensou. Mas era sincero. E ela tinha sensibilidade suficiente para saber se era algo artificial. Como boa poeta, sabia quando algo soava falso ou era cópia de outra situação. Em casa, os controles da razão perdiam a pilha e o tesão tomou conta do pequeno apartamento. As parecedes suavam e pareciam estar esperando para ver o desejo explodir. Boooooom! Simplesmente aconteceu, de forma forte, mas com carinho. Direto, mas com detalhes. Apesar de pouco tempo, intenso.
Eles dormem. O fogo (da bebiba) passa. Ele faz promessas. Ela volta a desconfiar do agora segurança de shopping. Sutilmente ele tenta provar a verdade lhe dando o cartão de visitas do banco. É pouco, pensa ela. No dia seguinte ele liga (impossível), responde email (como assim?) e depois some (Ah não!). Foi para NY dar continuidade no seu sonho.
O tempo passa. Mas a menina intelectual, sempre surpreendente, aparece. Escreve algo sensual. E também some. Ele, olhando para a janela, vendo a neve cair pela 5ª avenida de Manhattan, tenta contato. Voltam as promessas. O final? Assim como o mercado de ações, "imprevisível".
Muito bom!ameeeii!
ResponderExcluirD+!!Sensacional... =)
ResponderExcluirGabi, lembrei desse conto há uns dias atrás!!kkkk
ResponderExcluirAdoreiiiiiii
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