Ela. Uma garota cheia de vida, de sonhos, de metas, de vontades. Personalidade forte e teimosia, conforme regia seu signo eram apenas umas das características que nela se fazia presente. Alegre, espontânea, desafiadora, aventureira, apaixonada. Pelo o que? Pelo o que a vida ainda podia mostrar ser. Qual a graça da vida se tudo for igual e regrado? “Amanhã? Sei lá, se eu estiver viva resolvo!” era sua frase constante.
Ele. Um homem formado. De muitos sonhos que sonhou, realizou. De muitas metas que colocou, alcançou. Personalidade forte, imagem marcante. Virginiano convicto, se é certo vamos fazer, se é errado vamos esconder. Antes, tinha uma caderneta onde marcava o que tinha que ser feito, como ser feito e o horário para ser concluído. Um dominador da tabela dinâmico de Excel, afinal de contas, tudo tinha que ser planejado e tabelado. Sério, mas alegre. Bonito, mas instigante. Apaixonado, mas com segredos. “Só estou agindo de acordo com o Código do Consumidor!” era sua frase favorita.
E um dia, numa noite de calor e regada a cerveja e samba, suas vidas se cruzaram e suas personalidades se encaixaram.
Era o casal perfeito, agradável de estar junto sem sentir vontade de gorfar. Acredite se quiser, casais assim, apesar de raros, existem.
Apesar de nada ser esquematizado e nem tudo improvisado, andavam no mesmo passo e roncavam na mesma sintonia. De segunda à quinta tudo era feito nos conformes, trabalho, cursos, faculdades e responsabilidades individuais. Sexta-feira seja o que Deus quiser, dançavam conforme o ritmo da música, de valsa europeia à Heavy Metal. Sábado de manhã, para onde quer ir? É só colocar gasolina e revezamos a direção, só precisamos voltar daqui 48 horas. Mochilas, barracas e um saco de Miojo Lamen no velho Uno Mille verde abacate e lá iam eles, ganhar a estrada pra Deus sabe onde.
Apesar de acharem brega, ela o chamava de menino, e ele a chamava de menina. O apelido ficou e pegou.
A lei era dar risada. Ser feliz. E foram. Quando um fala, o outro abaixa a orelha. Sem gritos, sem brigas, sem insultos, sem preconceitos, sem se desgrudar.
- Nada é eterno. Nem amor. Não posso dizer que te amo pra sempre, mas sei que hoje te amo o suficiente. – dizia ela com um sorriso encantador.
Ele retrucava e discordava.
- Te amo mais que tudo. Te amo pra vida toda.
- Cala a boca menino. – era a resposta final. E os dois caiam na gargalhada e entornavam o resto da garrafa de vinho.
A banda Engenheiros do Havaí julgaria esse relacionamento como a “perfeita simetria”.
Ela flamenguista. Ele tricolor fluminense. Iria dar certo? Deu. Durante dois anos viveram o lema “viva o inesperado e o inesquecível”. E os dois anos acabaram. E o amor também.
- Você vai me deixar? - ela questionava.
- Vou. Não quero mais. –Ele respondia frio, sem encará-la, segurando com toda força o volante do Fiat Uno estacionado no meio-fio.
- Não me ama mais? – Ela segurava as lágrimas.
- Não!
- Mas você dizia que era pra vida toda – ela começava a soluçar. – Que era mais que tudo.
- E você dizia que nada é eterno. Nosso amor também não vai ser.
- O que aconteceu? Quando você percebeu isso? Faz tempo que você tem essa certeza?
- Menina, apenas...
- NÃO ME CHAMA DE MENINA!
- Desculpa... Não sei quando foi, mas aconteceu. Você tem tanta coisa pra viver e acho que nossos planos não se encaixam. Você quer viajar todo final de semana, e eu quero economizar. Você quer cair na noite sempre e dançar até o sol raiar, e eu quero assistir filme e comer pipoca. Você quer viver o improvisado, e eu quero casar. Você quer ganhar o mundo, e eu quero filhos. – Ele dizia com lágrimas nos olhos, ainda encarando o nada à sua frente.
- E desde quando esse meu jeito começou a ser empecilho pra você? Desde quando meu jeito começou a te incomodar? Desde quando nossos planos não são mais os mesmo? Me diz?? Desde quando você não me quer mais????
Silêncio.
Ele respira fundo. Solta as mãos do volante. A olha nos olhos pela ultima vez e vomita o que lhe angustiava.
- Desde de que eu conheci outra pessoa.
Silêncio ao cubo.
Ela se sentia como se tivessem a apunhalado o peito. Mas não havia punhal. Apenas palavras e verdades que doíam e sangravam muito mais.
Ela retoma a consciência. Parecia que as lágrimas haviam cessado. A dor havia passado em questão de segundos e cedeu lugar ao ódio e a raiva.
- Vá se foder.
Bateu a porta do carro e entrou em casa.

Uhull! Tchupiiiiiiii (quis imitar o barulho do chicote)
ResponderExcluirQue tipos de chicote que vc usa que faz esse barulho Ju?! rs.
ResponderExcluirObrigada amor, por visitar o blog!
Beijos.
Lindo texto. Lindo mesmo. Amo sua escrita1
ResponderExcluirMas vc precisa esquecer esta história!
Ameii o texto! Vc se garante, rs! Parabéns, Gabi!
ResponderExcluirMano vc sabe escrever super bem e eu adoro qualquer dia vc faz um trabalho de escola meu!!rsrsrs te adoro parabéns o texto ficou super legal!BJOO xD
ResponderExcluirSe vc tivesse escrito esse texto antes, eu diria:
ResponderExcluir- Sei da onde vem a expressão: O casamento é igual a avenida Paulista - começa no Paraíso e termina na Consolação... rs
Amei o texto!!
Beijos
Tenho a sensação de que já ouvi uma história dessa!Rsrs,parabéns Gabi,seus textos são ótimos! Amei***
ResponderExcluirSnif... Snif...
ResponderExcluirQuero uma com final feliz...
Otimo texto!
Beijos
Sou sua fã, vc é ótima. Parabéns!!!
ResponderExcluirbeijãoooooooo
É exatamente assim... vc ensina um menino a ser um homem e quando ele aprende, simplesmente procura outra e te deixa á deriva.O bom é que se deixarmos o tempo agir e sem pressas e atropelos, surge um que não é menino, e saberá ver a mulher que estará diante de si.
ResponderExcluirÓtimos textos! Já aumentou seu número de fãs.
bjos!
Otima descrição do virginiano !!!
ResponderExcluirE eles nunca mais se viram ?
ResponderExcluirE eles nunca mais se viram ??
ResponderExcluir